sexta-feira, 1 de junho de 2012

2 de junho: Beato João Pelingotto

Nasceu em Urbino no ano de 1240. O pai, um rico negociante de tecidos, começou a iniciá-lo no seu ramo de negócios desde muito cedo, pelo menos desde os 11 anos. Mas não tardou a ter de lhe permitir outro modo de vida, deixando-o dedicar-se livremente a exercícios de piedade.
Vestiu o hábito da TOF na igreja de Santa Maria dos Anjos, a primeira igreja franciscana de Urbino, e como fiel imitar do Pai Seráfico, passou a viver em maior austeridade. O amor aos pobres levava-o a privar-se por vezes até do necessário a fim de os socorrer. E quando notou que os seus conterrâneos começavam a apreciá-lo demais, a sua humildade levou-o a tentar despistá-los, fazendo-se de louco, ao mesmo tempo que se ocultava aos olhos do mundo, de modo a só Deus testemunhar as suas virtudes.
Em 1300 foi a Roma para ganhar o jubileu decretado por Bonifácio VIII. Era a primeira vez que visitava a cidade eterna, e julgava que ninguém ali o reconheceria. No entanto, alguém de um grupo que se cruzava com ele, o apontou e perguntou: <<Não é este o santo homem de Urbino?>>. Esta e outras ocorrências mostravam claramente que o Senhor não queria uma luz tão brilhante escondida debaixo dum alqueire.
De regresso à sua terra, intensificou a vida espiritual e suspirou  mais ardentemente pela pátria celeste. Foi acometido por doença muito grave que quase acabou com ele, a ponto de até perder a fala, que só veio a recuperar nos últimos dias da vida terrena. Até na maneira de suportar os sofrimentos imitou o Seráfico Pai. Por outro lado, o demônio não cessava de molestar, até no leito da morte, com tentações torpes este irmão terceiro que sempre conservara intacta a pureza do coração. Por isso ele se interrogava: <<Porque é que me afliges? Porque me trazes à memória coisas que eu nunca fiz, tentações em que nunca consenti?>>. E abandonando-se nos braços da misericórdia divina, disse em voz alta: <<E agora, vamos para a frente com toda confiança!>>. Perguntou-lhe um dos presentes, que o ouvira: <<Vamos, para onde?>>. <<Para o céu!>>, respondeu ele. Dito isto, o rosto começou a irradiar um fulgor celeste, relaxaram-se-lhe os membros, e expirou em paz, no primeiro de junho de 1304, com 64 anos de idade.
Embora tivesse manifestado desejo de ser sepultado na igreja de São Francisco, num primeiro momento não lhe fizeram a vontade: teve exéquias solenes e foi sepultado no cemitério franciscano, no claustro do convento. Bem depressa Deus glorificou o seu fiel servidor. Foram tantas as graças recebidas por sua intercessão, e tal a correria dos fiéis ao seu sepulcro, que os irmãos houveram por bem exumar os seus restos mortais e levá-los para a igreja de São Francisco. Perante a acumulação de mais prodígios, sobre o seu túmulo foi erigido um altar para se celebrarem missas em sua honra. O seu culto continuou através dos séculos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

31 de maio: São Fernando III, rei de Castela

Nascido por volta de 1199, Fernando III era sobrinho de Branca de Castela, a santa mãe de São Luís rei da França. A coroa de Castela pertencia a Henrique, que morreu em 1217. Fernando contava 19 anos quando sua mãe, tramando habilidosas manobras, conseguiu colocar sobre a cabeça do filho primeiro a coroa de Castela e a seguir a de Leão.
O certo é que ele conseguiu congraçar e pôr de acordo os reinos espanhóis tradicionalmente desentendidos de Castela, Aragão, Navarra e Leão. Deve ter contribuído para isso o fato de ser terceiro franciscano. Conseguia também a proeza de reunir em si as virtudes aparentemente mais opostas e contraditórias, conciliando o valor com a piedade e a audácia com a prudência. Foi igualmente bastante afortunado na vida familiar, casando sucessivamente com duas senhoras excelentes: a primeira, proposta pela mãe, morreu após 15 anos de casamento, e deu-lhe dez filhos; a segunda foi-lhe proposta por Branca de Castela. Igualmente afortunado foi nas guerras contra os sarracenos, que ocupavam grande parte da Espanha, numa época propícia e com êxitos notáveis.
Penetrando na Andaluzia, ocupou Córdova e o reino de Múrcia. Depois, bloqueando com uma frota o rio Guadalquivir, conquistou Sevilha, para regozijo do povo cristão e pasmo do muçulmano. Desta forma granjeou o título de “terror dos mouros”, aos quais perseguiu até as costas da África.
Foi uma guerra de libertação política e religiosa. O grito de batalha das suas tropas ressoava em todo o Mediterrâneo: “Santiago e Castela!”. Aos prisioneiros mouros fê-los trazer às costas o sino roubado pelos sarracenos ao famoso santuário de Compostela. Na conquista de Córdova teve o cuidado de não fazer qualquer mal à população, e o seu primeiro pensamento foi o de construir uma igreja em honra da SS. Virgem. Preocupava-se  em não cometer a mínima injustiça nem ofender sequer o mais insignificante dos seus súditos. Dizia que tinha mais medo da maldição duma velhinha do que de todas as armas dos mouros.
Ao sentir a aproximação da morte, recebeu o viático e a unção dos doentes na presença de todos os dignitários da corte, a quem quis dar esse último exemplo de devoção. Ao seu filho e herdeiro Afonso, antes de lhe dar a benção, deu-lhe alguns conselhos apropriados para o bom governo do reino: <<Teme a Deus e considera-o sempre como testemunha de todas as tuas ações, públicas e privadas, familiares e políticas>>. Era a regra vivida seguida pelo rei Fernando. A 30 de maio de 1252 entregou a alma ao Criador. Tinha 53 anos. Foi chorado pelos soldados como seu valoroso chefe; e pelo povo como pai previdente, soberano, herói, e sobretudo como santo

terça-feira, 29 de maio de 2012

30 de maio: Beata Camila Batista Varano

Não é difícil imaginar o regozijo sentido na elevada e luminosa Camerino, situada na crista dos Apeninos, e a grandiosidade das festas aí celebradas pelo nascimento da primogênita do senhor da cidade, Camila, a 9 de abril de 1458.
À medida que a menina ia crescendo e se ia mostrando inteligente e encantadora, o pai, Júlio César Varano, e a mãe, Joana, da família Malatesta, sonhavam para a filha um casamento esplêndido, com algum senhor de qualquer cidade vizinha. Ela mesma escreveu mais tarde: <<Passava todo o tempo em serenatas, bailes e passeios, em vaidades, festas e divertimentos juvenis>>. Mas na vida da jovem, bela e culta Camila, princesa de Camerino, havia um pequeno segredo só dela conhecido. Pediu licença ao pai para entrar, não num palácio senhorial, mas num humilde e pobre convento para seguir a austera regra de Santa Clara.
Não foi fácil. Só após prolongada e obstinada insistência da filha o pai se vergou à sua pretensão. Foi um rude golpe para o coração do pai permitir que a sua Camila entrasse em Urbino, não como princesa casada com um príncipe, mas de pés descalços, para se encerrar num convento de clarissas, com o nome de Sóror Batista.
Para aplacar o orgulho ferido, seu pai não teve outro remédio senão renovar e ampliar, em Camerino, o mosteiro de Santa Maria Nova, e assim ter mais perto de si a filha, que de futuro seria para sempre esposa de Jesus. Dentro dos muros desse mosteiro foi Sóror Batista Varano agraciada com revelações e visões que o seu diretor espiritual lhe obrigou a escrever. Assim nasceram, na intimidade de sua cela, obras que iriam ficar famosas na literatura mística de 500: “As dores mentais de Jesus”, “A vida espiritual”, “Considerações sobre a Paixão”, “Tratado da pureza de coração”, “Orações” e “Poesias”.
Enquanto essa Clarissa enriquecia o mundo com estes trabalhos, César Bórgia assaltava a cidade de Camerino, assassinando sem piedade César Varano e seus dois filhos. Sóror Batista derramou por eles lágrimas secretas, mas perdoou ao assassino. A sua máxima era “fazer o bem e suportar o mal”, sofrendo não a sós, mas com Jesus na cruz. Morreu em Camerino a 31 de maio de 1524, com a idade de 66 anos.

29 de maio: Beato Herculano de Piegaro

Herculano nasceu em Piegaro, província de Perúsia, em 1390. Aos 20 anos ingressou na ordem franciscana, resolvido a imitar o pobrezinho de Assis no ardor da caridade e no zelo apostólico. Teve como mestre espiritual o Beato Alberto de Sarteano, o qual, com São Bernardino de Sena. São Tiago da Marca e São João de Capistrano foram as colunas da Observância, aquele providencial movimento de regresso da ordem dos frades menores à pureza genuína da regra. Consagrado sacerdote, exerceu o ministério da pregação percorrendo cidades e aldeias com grande proveito para as almas que se voltavam para Deus com uma prática mais perfeita da vida cristã. Um dos temas mais prediletos era o da Paixão de Cristo. Ao pregar em Áquila numa sexta-feira santa, descreveu com tanta vivacidade os sofrimentos de Cristo, que os fiéis não se puderam conter e desataram a chorar.
Depois de anunciar com fervor e veemência o evangelho, regressava aos conventos de retiro e solidão, e aí, em silêncio absoluto, oração assídua e penitência austera, recarregava o espírito. O seu alimento, além da Eucaristia, limitava-se muitas vezes a pão e água.
Em 1429 o seu ilustre mestre Beato Alberto de Sarteano quis que ele fosse seu companheiro numa missão especial à Palestina, onde por determinação de Eugênio IV ia tomar posse dos lugares santos em nome da ordem dos frades menores. A visita a esses lugares, santificados pela presença de Jesus, de Maria e dos apóstolos, deixou uma marca indelével no coração de Herculano. Passados poucos meses regressou à pátria completamente transformado, apto a empreender de novo as lides apostólicas.
Em 1430, quando pregava a quaresma na catedral de Luca, os florentinos puseram cerco à cidade. Herculano ofereceu-se como mediador da paz, interessou-se em socorrer os sitiados, e quando começaram a faltar víveres, conseguiu introduzir na cidade o indispensável para socorrer a população. Previu e anunciou com antecedência a retirada das forças inimigas e a vitória do povo de Luca. Como sinal de agradecimento, as autoridades da cidade cederam-lhe o convento de Pozzuolo. Construiu ainda outros conventos na Toscana, onde foi prudente e zeloso guardião.
A 28 de maio de 1451, com 61 anos de idade, adormeceu na paz do Senhor, que lhe confirmou a santidade com milagres realizados em vida e ocorridos junto ao túmulo.

28 de maio: Santa Mariana de Jesus Paredes e Flores

Santa Maria de Jesus é a primeira santa canonizada da república do Equador, e foi proclamada heroína nacional. Nasceu em Quito a 31 de outubro de 1618, sendo a oitava e última filha dum capitão espanhol casado com uma nativa. Tendo perdido o pai aos 4 anos e a mãe aos 6, foi educada por uma irmã mais velha, Jerônima, esposa dum capitão.
Desde criança manifestou inclinação para exercícios de piedade e mortificação. Aos 7 anos fez a primeira comunhão e também voto de virgindade, adotando o nome de Mariana de Jesus. Fez os exercícios espirituais, e como Santa Teresa, tentou fugir de casa com uma prima, para ir evangelizar índios.
Tal iniciativa, porém não teve êxito, nem tão-pouco a de se retirar para o sopé dum monte vulcânico, a fim de implorar à Virgem SS. proteção contra erupções vulcânicas. A família não conseguiu obter autorização para ela ingressar na congregação das irmãs franciscanas, e perante isso, decidiu entrar na TOF. Retirou-se  num pequeno quarto da sua própria casa, vestiu-se com um hábito castanho e encetou uma vida de recolhimento, oração e penitência. Tais austeridades, no entanto, não lhe modificaram o caráter alegre e jovial: tocava guitarra, consolava os tristes, reconciliava negros  índios, e fazia milagres.
A saúde ressentiu-se da penitência a que ela se sujeitava e das sangrias a que a sujeitavam os médicos. Por ocasião dos terremotos e epidemias que ocorreram em Quito em 1645, Mariana ofereceu a vida pelos conterrâneos. No seu quarto foi acometida por febre altíssima e dores dilacerantes. Mas ao mesmo tempo que a sua doença aumentava, ia diminuindo a peste na cidade, e o terremoto acabara quando começara o seu sofrimento heróico. Nos últimos três dias perdeu a fala, e só no último dia de vida aceitou estender-se na cama. Já tinha há tempos manifestado aos familiares o desejo de ser amortalhada com o hábito franciscano que tinha guardado na cela, apesar de há muitos anos usar o escapulário e o cordão da TOF. Predisse o dia e a hora da morte: 26 de maio de 1645, às 22 horas, contando apenas 26 anos e meio. A sua morte foi lamentada por toda a cidade. Toda a gente dizia: <<Morreu a Santa!>>. As suas exéquias foram uma expressão de triunfo, uma explosão de agradecimento e de profunda veneração do povo de Quito pela sua admirável concidadã, pela generosa vítima, pela sua salvadora.

27 de maio: Beato Mariano Roccacasale

 Nasceu a 14 de julho de 1778 em Roccacasale, Áquila, Itália, dum casal de agricultores e pastores profundamente crentes, que no batismo lhe deram o nome de Domingos. Depois do casamento dos irmãos, ficou ele com os pais, encarregado dos rebanhos. O ambiente solitário de campos e redis influenciou-lhe o temperamento para a reflexão e o silêncio, que lhe permitiram perceber a voz do Senhor a dizer que o mundo não era para ele. Contava então 23 anos. Não podendo resistir a essa força interior, decidiu seguir a Cristo mais de perto.
Para isso tomou o hábito franciscano no convento de Arisquia, com o nome de Mariano, e feita a profissão religiosa, ali permaneceu 12 anos. A sua vida pode resumir-se em duas palavras: oração e trabalho, como duas cordas em que vibrava toda a sua existência. Desempenhava escrupulosamente todos os encargos que lhe confiavam: carpinteiro habilidoso, hortelão, cozinheiro e porteiro. Mas os seus anseios de santidade não encontraram em Arisquia ambiente favorável, não por culpa dos confrades ou dos superiores, mas simplesmente porque aquela época não propícia a vida religiosa nos conventos. Só depois de o papa regressar a Roma em 1814 é que a via conventual conseguiu recompor-se, e mesmo assim com lentidão e muitas dificuldades. Foram precisos vários anos para os religiosos regressarem aos conventos e a vida de oração e de apostolado reflorescer nos claustros.
Nessa altura, quando frei mariano contava 37 anos, chegando-lhe aos ouvidos o nome do Retiro de S. Francisco em Bellegra, onde alguns santos religiosos tinham conseguido restaurar uma vida regular e austera, pediu aos superiores que o deixassem ir para lá, e obteve autorização. Aí ficou encarregado da portaria, cargo que desempenhou por mais de 40 anos e constituiu o seu meio específico de santificação.
Abriu a porta a muitos pobres, peregrinos e viajantes, e converteu muitos corações fechados até ali à graça divina. Para todos tinha um sorriso, sempre acompanhado da saudação franciscana: “Paz e bem!”. Começava com o gesto de humildade de lhes beijar os pés, instruir nas verdades da fé e rezar com ele três ave-marias; só depois se ocupava da parte material, lavando-lhes os pés, acendendo uma fogueira se estava frio, e dando-lhes sopa, juntamente com bons conselhos. Nunca se queixava de excesso de trabalho nem dava sinais de cansaço.
A fonte de tanta virtude era sem dúvida a oração. Todo o tempo livre dedicava-o à adoração eucarística e à participação na missa. Faleceu no dia do Corpo de Deus, dia 31 de maio de 1866, e no dia 31 de maio se celebra sua memória.

26 de maio: Beatos Estevão de Narbona e Raimundo de Carbona

No dealbar do século XIII a situação da Igreja no sul da França, sobretudo na região de Tolosa, era difícil, devido à difusão da heresia albigense. A 22 de Abril de 1234 Gregório IX nomeou Guilherme Arnaud, dominicano oriundo de Mompilher, como o primeiro inquisidor nas dioceses de Tolosa, Albi, Carcassona e Agent. O inquisidor nomeado quis logo meter as mãos à obra, mas deparou com sérias dificuldades, pois onde de Tolosa Raimundo VII proibiu os súditos de terem contato com Frei Guilherme e seus colegas, começando por pôr guardas às portas do convento, a fim de os frades não receberem alimentação. E a 15 de novembro de 1235 mandou expulsar da cidade todos os frades dominicanos, que cumpriram a ordem saindo em procissão e entoando hinos sagrados. No ano seguinte foi-lhes permitido regressarem ao convento, mas entretanto o ódio dos hereges contra os inquisidores crescia e provocara revoltas e chacinas. Uma aconteceu quando Raimundo de Afar, governador duma pequena cidade próxima de Tolosa, a título de amizade convidou frei Guilherme e dez companheiros para uma reunião no seu castelo, onde simplesmente os encerrou numa sala, segundo um plano preestabelecido.
Foi no dia 29 de maio de 1242, vigília da Ascensão. Era já noite avançada quando centenas de albigenses, armados de espadas, machados e facas, irromperam na cidade e se dirigiram ao castelo. O traidor Raimundo de Alfar abriu-lhes as portas de par em par. A turba atravessou salas, derrubou portas, até chegar ao aposento onde se encontravam os religiosos, que logo compreenderam que chegara para eles a hora do martírio. Nenhum pensou em fugir. Todos se ajoelharam e começaram a entoar o Te Deum. Os albigenses arremeteram como hienas ferozes sobre os religiosos que caíram como mansos cordeiros em defesa da fé. As suas últimas palavras foram as de Cristo: <<Perdoa-lhes, Senhor, pois não sabem o que fazem>>. A crueldade dos assassinos assanhou-se principalmente contra Fr. Guilherme, a quem cortaram a língua.
Entre esses 11 mártires, contam-se dois frades franciscanos: Estêvão de Narbona e Raimundo de Carbona.
Estêvão era ainda jovem quando, dócil ao chamamento do Senhor, se fez monge beneditino para realizar o programa de São Bento, Ora eT labora (oração e trabalho). Chegou a ser abade num mosteiro perto de Tolosa. Mas a fama de São Francisco, a vida pobre, simples e humilde dos franciscanos e o ardor apostólico dos primeiros mártires impressionaram-no tão profundamente, que pediu aos superiores para ingressar na nova ordem. Como aconteceu com Santo Antônio de Lisboa, que deixou os Cônegos Regulares de Santo Agostinho para se fazer  franciscano, também Estêvão trocou a ordem de São Bento pela de São Francisco. Dada a sua cultura e santidade, muito trabalhou na defesa da fé contra os erros albigenses. E juntamente com dez companheiros, entre eles o seu confrade Raimundo de Carbona, deu corajosamente a vida por Cristo. Os Beatos Estevão e Raimundo foram sepultados em Tolosa, na igreja dos frades menores.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

25 de maio: Beato Gerardo de Vilamagna

Natural de Vilamagna, nas margens do rio Arno, Gerardo, filho duma família de agricultores, ficou órfão aos 12 anos. Durante uma peregrinação à Palestina foi feito prisioneiro pelos turcos, que lhe infligiram muitos maus tratos. Restituído à liberdade, visitou devotamente os lugares santos, e depois regressou a Vilamagna, instalando-se junto a uma igreja próxima da sua vivenda. Essa igreja ainda existe, com o nome de igreja de B. Gerardo, e conserva uma arca com as relíquias do antigo e desafortunado cruzado.
As peripécias do jovem não terminaram com essa peregrinação à Terra Santa. No ano seguinte fez-se novamente ao mar com um grupo de 20 cavaleiros, rumo à Síria. Dessa vez foram piratas que lhe fizeram difícil à viagem e lhe puseram em perigo a vida. Mas finalmente conseguiu chegar pela segunda vez à Palestina, onde se consagrou à oração e à prática da caridade, sobretudo para com doentes e peregrinos. Nessa vida permaneceu sete anos, até notar que se tornava alvo de veneração, coisa que a todo o custo queria evitar. Por isso regressou à Itália.
Teve então oportunidade de conhecer S. Francisco, e de receber das suas mãos o hábito da ordem da penitência. Como terceiro franciscano regressou ao seu oratório de Vilamagna, e por ali ficou definitivamente. Mas para facilmente se deslocar até ao cimo da colina do Encontro, ele mesmo construiu com suas próprias mãos no meio dos bosques um oratório dedicado à Virgem Maria. Foi essa a primitiva construção da igreja que ainda existe, rodeada por um conventinho simples e sugestivo. Porém, o convento franciscano do Encontro não foi construído pelo B. Gerardo: foi fundado por outro santo, Leonardo de Porto Maurício, quase cinco séculos mais tarde, para continuar e completar a obra do seu colega em santidade.
Contam-se dele alguns milagres, como o de encontrar numa ameixoeira frutos maduros fora do tempo, para satisfazer os desejos dum doente. Outra ocasião, necessitando de transportar material para a construção do seu eremitério, e perante a recusa dum lavrador de lhe emprestar os bois para o carrego, encontrou subitamente duas juntas de bezerros que lhe fizeram o transporte sem dificuldade para onde ele queria. Todas as semanas visitava em piedade peregrinação  três santuários, em sufrágio das almas do purgatório, a fim de obter a remissão dos pecados e converter infiéis. Entregou a alma ao Senhor no dia 25 de maio de 1270, com a bonita idade de 96 anos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

24 de maio: Dedicação da basílica de São Francisco de Assis

 Logo a seguir à canonização do Pobrezinho, feita por Gregório IX a 16 de julho de 1228, manifestou esse papa o desejo de que em honra do santo a quem ele tanto apreciara, se erigisse em Assis um templo grandioso para lhe conservar os restos mortais. O próprio Pontífice benzeu a primeira pedra da construção, e em 1230 ordenou que o corpo do santo fosse trasladado da igreja de São Jorge para a nova basílica, à qual concedeu o título de “cabeça e mãe da ordem dos frades menores”. Só bastantes anos mais tarde (1253) foi solenemente consagrada por Inocêncio IV, e mais tarde ainda (1764) elevada à categoria de Basílica Patriarcal e Capela Papal por Bento XIV.
São Francisco quis morrer junto da pequenina e pobrezinha igreja da Porciúncula, onde tivera início a sua vida religiosa. Mas apesar de ele ter escolhido a pobreza como caminho para o amor e a ter deixado aos irmãos como herança a preservar a todo custo, tanto os seus filhos como o povo de Assis, encorajados pelo próprio papa, quiseram erguer em sua honra uma basílica grandiosa, como sinal da glória celeste que Deus lhe concedera.
Foi frei Elias o encarregado e talvez o projetista das três igrejas sobrepostas que todo mundo hoje visita e admira. Na escuridão dum subterrâneo foi construída a primeira igreja, que conserva o corpo do pobrezinho; sobre essa humildade e obscuridade de vida eleva-se a primeira glória da igreja intermédia, com maravilhosas alegorias de virtudes;  e por cima dessa, numa dança de luz, ergueu-se a igreja superior. Pintores de renome entrelaçam dois temas de adorno e de meditação: a paixão de Cristo e a história de Francisco, sublinhando a necessidade de imitar Cristo para chegar ao céu.
No dia 25 de maio de 1253 era solenemente era solenemente consagrada a basílica erguida sobre o monte do paraíso em honra de São Francisco de Assis, concebida por frei Elias como um sonho de glorificação sem igual: três igrejas sobrepostas. Na base, escondida na terra, a tumba com o corpo do Santo. Sobre ela, a igreja intermédia, invadida duma luz ainda tênue onde se representasse a vida do pobrezinho, e a sua gradual ascensão, segundo as alegorias das virtudes e principalmente segundo o tema dominante da sua vida religiosa: Cristo crucificado. Só está inundada de luz natural a terceira igreja, em cujas paredes deslizam em paralelo cenas bíblicas e episódios mais marcantes da vida de Francisco. Assim foi sonhada a exaltação de um santo, associada à fé no Deus feito homem em Jesus Cristo, a quem o santo imitara tão perfeitamente.
Celebram hoje os franciscanos o dia festivo dessa consagração ou dedicação. Isso ajuda a descobrir a riqueza espiritual de Francisco para transformar o homem em templo de Deus.

23 de maio: Beato João de Prado

Nascido em Mogrovejo na Espanha em 1560, de pais nobres. Interrompeu os estudos na universidade de Salamanca para envergar o hábito dos frades menores de Rocamador a 16 de novembro de 1584, onde professou no ano seguinte. Pregador ardente e bom teólogo, tomou parte nas controvérsias sobre a Imaculada Conceição. Desempenhou vários cargos, como o de guardião em diversos conventos, mestre de noviços, e definidor por duas vezes. Devido às virtudes e dotes que todos lhe reconheciam, foi escolhido para governar a nova província franciscana de São Diogo, fundada em 1620. Durante o seu mandato de provincial tentou restaurar a missão franciscana de Marrocos. Com efeito, 1630 foi destinado a Marráquexe, capital de Marrocos, para prestar assistência espiritual aos escravos cristãos. Obtido um salvo-conduto do sultão e as credenciais de Prefeito Apostólico por parte de Urbano VIII, partiu de Cádiz com alguns confrades a 27 de novembro de 1630.
Depois de ter exercido o ministério em Mazagão por três meses, tentou chegar a Marráquexe, mas foi capturado pelas autoridades muçulmanas em Azamour, e só chegou ao destino pretendido a 2 de abril de 1631. Levado à presença do novo sultão Mulay, confessou intrepidamente a fé cristã. Foi metido na masmorra e várias vezes flagelado. Durante a sua última polêmica com o sultão, foi por ele apunhalado e condenado à fogueira na praça do palácio. Enquanto de cima da fogueira continuava destemidamente a pregar a fé, foi alvejado à pedrada e à paulada. Assim passou ao céu, a 24 de maio de 1631, com 71 anos.
A terra de Marrocos, banhada com o sangue dos protomártires franciscanos e com os mártires de Ceuta, S. Daniel e companheiros, recolheu também o sangue deste ilustre confrade que durante muitos anos exercera o apostolado em terras da Espanha e se tinha preparado para o martírio com rigorosas penitências e uma exuberante vida de oração. A sua morte gloriosa foi acompanhada de muitos milagres e numerosas conversões.

22 de maio: Beato João Forest

Nasceu em 1471, provavelmente em Oxónia (Inglaterra), e aos 16 anos vestiu o hábito franciscano em Greenwich. Nove anos mais tarde foi enviado a Oxónia para fazer os estudos teológicos, findos os quais foi ordenado presbítero e regressou ao convento de origem. Do cardeal Wolsey recebeu o encargo de pregar na igreja de São Paulo em Londres, e ao mesmo tempo foi escolhido pela rainha Catarina de Aragão primeiro como capelão, e depois como confessor.
Gozou da estima e da amizade de Henrique VIII até ao momento em que se declarou em favor da validade do matrimônio do rei, que queria fazer novo casamento, alegando que o primeiro fora inválido.
Como guardião do convento, João Forest já advertira os confrades, num capítulo realizado em 1532, que o rei pretendia suprimir a ordem. E do púlpito da catedral de São Paulo não se abertamente contra Cromwell e indiretamente contra o rei.
A condenação papal de 1534 indignou Henrique VIII, que suprimiu os conventos dos frades menores e os obrigou a dispersarem-se por outras casas religiosas. O Beato João Forest foi encarcerado na prisão de Newgate até 1534.
Em 1538 encontrava-se Frei João entre os conventuais. Nessa espécie de prisão domiciliar e pôde, no entanto, manter, com a rainha Catarina e outras personalidades, correspondência que em parte ainda se conserva. Escreveu também um tratado contra o próprio Henrique VIII, por ele se arrogar o título de cabeça espiritual da nação. Esse tratado não podia deixar de irritar o rei, que ordenou a prisão do seu autor. Levado a tribunal, Frei João viu-se envolvido numa rede de ardis. Queriam obrigá-lo a aceitar e assinar em bloco um conjunto de artigos; mas ao lê-los um por um, João Forest descobriu que nas entrelinhas de um deles se ocultava um  ato de apostasia. Por isso os recusou em conjunto, e por isso foi condenado à fogueira.
A execução foi marcada para 22 de maio de 1538. No local do suplício foi convidado a pedir perdão e a fazer juramento de fidelidade ao rei. Mas o mártir resistiu impávido à solicitação, e fez em vez disso uma belíssima profissão de fé: <<Creio na Igreja, una, santa, católica, apostólica e romana. Juro que nunca me separarei do papa, vigário de Cristo, sucessor de São Pedro, bispo de Roma. Nem que baixasse um anjo do céu e me insinuasse outra coisa contrária ao que durante toda vida acreditei, nem que houvesse de ser esquartejado, despedaçado membro a membro, queimado, enforcado, sujeito a qualquer forma de suplício, nunca jamais me apartaria da minha fé>>. Foi atado pelo meio do corpo e suspenso sobre as chamas. Morreu queimado a fogo lento, orando e invocando o nome do Senhor. Contava 67 anos.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

21 de maio: Santo Ivo da Bretanha

O mais célebre padroeiro dos causídicos é Santo Ivo, a quem pela primeira vez o povo apelidou de “advogado dos pobres”. Na realidade, porém, foi mais que advogado: foi amigo, irmão, benfeitor e pai dos pobres. Nasceu na Bretanha, a 17 de outubro de 1253, sem nunca se imiscuir entre a despreocupada e por vezes tresloucada juventude da época, fez os estudos, com seriedade e proveito, primeiro em Orleães e depois em Paris, nas célebres escolas de teologia e de direito.
Desde muito jovem pôde assim assumir a responsabilidade de juiz eclesiástico, cargo que desempenhou com dedicação e prudência, e sobretudo com profundo sentimento de humildade, raiando às vezes pela humilhação, pois a si mesmo se chamava “ o mais mesquinho dos servos de Cristo”. Mas o que aos olhos do povo o fazia santo não era tanto a sua extrema humildade, quanto sobretudo a não extrema caridade. Soube-se, por exemplo, que quando vivia em Paris cedeu o próprio leito a dois jovens órfãos a quem acolheu e deu hospedagem, enquanto ele passou a dormir no chão, sobre um colchão de palha.
O bispo de Tréguier, sua terra natal, quis ter consigo este extraordinário jurista, e convidou-o também a aceitar receber o sacerdócio. Como padre, Santo Ivo continuou a exercer ainda com mais zelo e caridade a profissão de advogado, sobretudo dos pobres. Resolveu também fazer-se terceiro franciscano vestindo o hábito da penitência.
Depois de deixar o tribunal, contente por ter defendido a justiça e protegido os fracos e deserdados, regressou à sua casa, outrora uma mansão senhorial, e transformada agora em casa de acolhimento de todos os pobres, desvalidos, doentes e órfãos da região, para todos os fins de assistência: servia de hospital, orfanato, asilo, refeitório, e até balneário público.
O santo dormia no meio deles, servindo-lhe de almofada para apoiar a cabeça um grosso calhamaço de direito. Fora a vida laboriosa e agitada que levara, acrescida ainda de ásperas penitências, que o esgotara rapidamente, e o levara a renunciar à profissão, e a dedicar-se doutra forma ao serviço dos pobres. A nova modalidade de apostolado, porém, também não iria durar muito. Depressa adoeceu e se viu impossibilitado de ajudar os seus amigos pobres materialmente; só os poderia favorecer, como aconteceu por vezes, com os milagres que ocorriam pelo simples contato com seu corpo cansado e doente.
Foram por isso os pobres os primeiros a chorá-lo, não como sábio jurista nem como advogado, mas como seu autêntico pai, quando ele faleceu a 19 de maio de 1303, antes de completar 50 anos. É um dos santos mais populares da França, e o padroeiro dos homens das leis.

domingo, 20 de maio de 2012

20 de maio: São Bernardino de Sena

Bernardino de Sena, místico iluminar do século XV, personalidade simpática e perspicaz, foi um dos santos mais atraente: o santo das pregações na Praça do Campo e do anagrama do Nome de Jesus, que ainda hoje figura em muitas igrejas e palácios públicos de cidades italianas, emoldurado de um radiante sol dourado. Bernardino não nasceu em Sena. Seus pais é que eram ambos dessa cidade, e ele também lá passou a viver quando ficou órfão. Aí foi criado e educado por duas tias e frequentou os estudos. Mas não tardou a abandonar a vida desafogada e elegante para entrar na ordem dos frades menores, onde promoveu afincadamente a “observância”, um movimento de regresso a uma mais estreita fidelidade a regra primitiva de S. Francisco.
Fundou alguns conventos, pequenos e pobres, que dirigiu com solicitude e abnegação. A sua maior glória, no entanto, resulta do estilo de pregação, colorida, fresca, apaixonada e penetrante. As prédicas feitas por ele em muitas praças italianas, sobretudo na “Praça do Campo”, em Sena, foram conservadas na sua encantadora integridade. Um dos temas por ele mais abordados era o da paz, propondo que se substituíssem os emblemas das facções pelo emblema do nome de Jesus. Começava por pregar a concórdia entre os cidadãos, entre guelfos e gibelinos, e passava depois a pregar a caridade para com Deus e os irmãos mais necessitados.
Por onde quer que ele passasse e fizesse ouvir a sua voz retumbante, clara e sonora, reformava-se a ordem social e política em favor dos necessitados: surgiam novos hospitais, os presos passavam a ser mais bem tratados, os atritos resultantes do egoísmo abrandavam, todo o ambiente humano melhorava. Cristo, o verdadeiro sol representado no anagrama imaginado e propagado pelo santo, incendiava as almas e fazia amadurecer frutos de paz, de justiça e de caridade.
Magro, débil, de rosto encovado, nariz e queixo proeminente, olhos azuis, brilhantes e serenos, a boca a denunciar um sorriso vivo e arguto, andou sempre a pé por toda a Itália na sua missão de pacificar e alcançar a concórdia entre povos e pessoas, inculcando a benevolência e a caridade.
A sua derradeira viagem foi a Áquila, onde já chegou moribundo e já não pôde pregar e estabelecer a paz entre os cidadãos em guerra civil. Expirou a 20 de maio de 1444, com 64 anos de vida na terra. Durante os três dias em que o seu corpo este exposto ocorreram numerosos milagres. Conservam-se muitas obras da sua autoria, entre elas os “Sermões” ( em latim), e as “Prédicas” (em língua vernácula).