terça-feira, 29 de novembro de 2011

30 de novembro: Beato Bernardino de Fossa

Bernardino Amici, pregador e escritor franciscano, nasceu em 1420 em Fossa, perto de Áquila. Em Perúsia, onde se tinha formado em direito, ingressou nos frades menores em 1445. Viveu em vários conventos da Úmbria e dos Abruzos, mas a residência mais habitual foi em Áquila. Por três triênios o elegeram para ministro provincial da sua província, e também foi procurador geral da ordem na cúria romana. Tomou parte em vários capítulos gerais realizados em Áquila, Assis, Milão, Roma e Mântua. Várias vezes recusou o bispado de Áquila.
Foi célebre pregador, em Itália e não só; deu brado uma quaresma que pregou na Dalmácia em 1465. Nos últimos anos da vida divulgou alguns escritos seus de caráter teológico e histórico, mas a maior parte das suas obras ficou inédita.
Como filho fiel do seráfico pobrezinho e ardente ministro de Cristo, propôs-se seguir o trilho de São Bernardino de Sena, a quem várias vezes ouvira pregar e por quem ficara fascinado, em especial quando em 1438 ele pregou em Áquila sobre a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu. A multidão imensa no meio da qual se encontrava Bernardino viu brilhar no céu uma estrela luminosa cujo esplendor superava o do sol.
De São Bernardino de Sena copiou o nosso frei Bernardino o espírito de fé e de recolhimento, a prudência, a humildade, a modéstia, o zelo ardente pela glória de Deus. Por isso o vemos a calcorrear cidades e mais cidades a pregar a palavra de Deus, suscitando por toda a parte o entusiasmo e obtendo numerosas conversões.
Durante oito meses esteve prostrado de cama, atormentado por terríveis sofrimentos, suportados como exemplar resignação. Até que um dia lhe apareceu o seu patrono São Bernardino de Sena, que lhe obteve do Senhor a cura completa.
Liberto dos compromissos que a ordem lhe confiara, regressou aos Abruzos e prosseguiu as lides apostólicas com renovado fervor. Fundou novos conventos, entre eles o de Santo Ângelo de Ocre na sua região natal, onde decidiu viver até avançada idade. Aos 83 anos, esgotado pelos trabalhos apostólicos e pela austeridade de vida, retirou-se ao convento de São Julião próximo de Áquila, a preparar-se para o encontro com a irmã morte, que sobreveio no dia 27 de novembro de 1503. Foi um digno filho de São Francisco e fiel imitador de São Bernardino de Sena, e Deus não deixou de avalizar a sua santidade com o dom dos milagres.

29 de novembro: Todos os Santos da Ordem Franciscana


Santos canonizados da primeira ordem, 110; Santas canonizadas da segunda ordem, 9; Santos e Santas canonizados da terceira ordem regular e secular, 53; Religiosos da primeira ordem beatificados, 161; Religiosas da segunda ordem beatificadas, 34; da terceira ordem regular e secular, 95 beatificados. Total de membros das ordens franciscanas canonizados e beatificados, no fim do milênio, 482.
No aniversário da aprovação da regra de São Francisco Honório III, no dia 29 de novembro de 1223. A ordem franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”.
Era esse precisamente o projeto de vida e o carisma do pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz.
Quem poderia contar a imensa multidão de Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus – se quisermos utilizar esta terminologia canônica – ou melhor ainda, de todos os irmãos e irmãs, sem nome e sem rosto, que nos limites da sua fragilidade viveram a perfeição evangélica, fazendo da regra franciscana a norma da sua vida? É um imenso capital de santidade e de amor, muitas vezes desconhecido, outras vezes esquecido, quando não mesmo desprezado pelo mundo! O bem dá menos nas vistas do que o mal; no entanto, a história do bem, tantas vezes anônima e despercebida, tem escrito o nome e o rosto de Cristo. É essa história que impede o mundo de cair no desespero e fecunda as atividades da Igreja.
São Francisco disse um dia aos irmãos, numa explosão de alegria: “Caríssimos, consolai-vos e alegrai-vos no Senhor! Não vos deixeis entristecer pelo fato de serdes poucos, nem vos assusteis da minha simplicidade nem da vossa, pois o Senhor me revelou que há de fazer de nós uma inumerável multidão e nos propagará até os confins do mundo. Ele me mostrou um grande número de pessoas a virem ter conosco, com o desejo de viverem segundo a nossa regra. Ainda me parece ouvir o ruído dos seus passos! Enchiam diversos caminhos, vindos de todas as nações: eram franceses, espanhóis, alemães, ingleses, uma turba imensa de várias outras línguas e nações”.
Ao ouvirem estas palavras, uma santa alegria se apoderou dos irmãos, pela graça que Deus concedia ao seu Santo.
A prodigiosa árvore da santidade franciscana testemunha a vitalidade e autenticidade evangélica da mensagem de São Francisco. A festa que hoje os franciscanos celebram é um convite e um estímulo a devolver a Deus o amor que ele nos deu em Cristo, vivendo na pobreza e na humildade uma vida verdadeiramente fraterna, para que o mundo acredite, mediante este amor realizado, que o Pai ama e quer todos os homens salvos em sua casa.

domingo, 27 de novembro de 2011

28 de novembro: São Tiago da Marca


Em conjunto com João de Capistrano, Bernardino de Sena e Alberto de Sarteano, Tiago da Marca é uma das colunas da Observância Franciscana, a singular reforma da Ordem no século XV, que, opondo-se a um humanismo exagerado, propôs o retorno à vida pobre e simples e ao zelo apostólico que caracterizou o franciscanismo primitivo.
Nascido em 1391 em Montprandone (Piceno), desde muito novo se sentiu atraído pelo ideal franciscano, e vestiu o hábito dos frades menores no convento dos Cárceres, perto de Assis. Era tão propenso à mortificação, que o seu mestre de teologia e de vida espiritual, São Bernardino de Sena, teve de lhe recomendar certa moderação. Dotado de excepcionais dotes oratórios, uma vez ordenado sacerdote percorreu a Itália e grande parte da Europa a pregar a fiéis, hereges e infiéis, com abundantes frutos de conversão e reforma de costumes.
Recusou a oferta do arcebispado de Milão e foi conselheiro de papas e imperadores. Esteve ao serviço da santa Sé em numerosas missões, e sucedeu a São João de Capistrano como guia espiritual da cruzada contra os turcos.
Sendo um pregador de raras qualidades, exerceu essa forma de apostolado não apenas na Itália, mas ainda em países estrangeiros, como a Bósnia, a Boêmia e a Polônia. Estava em meio duma refeição quando lhe chegou às mãos a ordem papal de partir para a Hungria. Levantou-se imediatamente, sem acabar de comer, para cumprir a ordem recebida. Era assim a sua obediência, absoluta e instantânea.
Levava uma vida de rigor e austeridade. Durante o ano fazia nada menos de sete quaresmas, e nos outros dia a sua alimentação limitava-se a pequenas e pobres rações, como uma malga de favas simplesmente cozidas em água. O seu zelo pela castidade levava-o a disciplinar-se por vezes de noite, ao ser atormentado por tentações carnais. Enfermiço e debilitado pelos jejuns, por seis vezes recebeu a Unção dos Enfermos. Apesar disso resistiu até aos 80 anos na fatigante vida de pregador volante.
Os temas de sua pregação eram idênticos aos de São Bernardino, cauterizando em especial a avareza e a usura. Para combater esta praga social idealizou os Montes de Piedade ou Montepios, onde os pobres podiam empenhar os seus bens por um preço justo e com juros mínimos, ao contrário do que faziam os usuários privados.
No dia 28 de novembro de 1476, com 85 anos de idade, faleceu em Nápoles, onde se conservam os seus restos mortais na igreja de Santa Maria Nova. Apaixonado pelo estudo, traduziu muitas obras e compôs algumas de sua autoria, as quais nos permitem ter um conhecimento profundo da sua vida, da sua espiritualidade e da sua ação apostólica.

sábado, 26 de novembro de 2011

27 de novembro: São Francisco Antônio Fasani



Francisco Antônio Fasani, natural de Lucera, na região italiana da Apúlia, era filho duma família de modestos lavradores. Sendo ainda muito novo, entrou na ordem franciscana, no convento de Lucera dos frades menores conventuais, e não tardou distinguir-se pela inocência de vida, espírito de penitência e pobreza, ardor seráfico e zelo apostólico, a ponto de parecer um São Francisco redivivo.
Fez o noviciado no convento do Monte Santo Ângelo, no Gárgano, e aí emitiu os votos de consagração ao Senhor em 1699. Quatro anos depois, para completar a formação, foi enviado para o Sacro Convento de Assis, onde foi ordenado sacerdote em 1705.
Dali passou ao colégio de São Boaventura, onde recebeu o título de mestre de teologia – e por isso daí em diante os seus conterrâneos de Lucera começaram a chamar-lhe de o “Padre Mestre”. Voltando para Assis, dedicou-se à pregação pelas aldeias, até que pouco depois voltou definitivamente à sua terra natal.
A partir da cátedra, do púlpito ou do confessionário, o seu apostolado era sempre intenso e fecundo. Percorreu todas as terras da Apúlia e arredores, merecendo o epíteto de “apóstolo da sua terra”. Profundo em filosofia e não menos em teologia, começou por ser leitor e prefeito de estudos no Colégio de Filosofia de Lucera. Depois foi mestre de noviços e guardião do convento, e sempre modelo de observância regular para os confrades, sendo por isso nomeado em 1721, por especial Breve de Clemente XI, ministro da Província religiosa de Santo Ângelo, que nesse tempo era muito extensa. Escreveu diversas obras de pregação, entre elas um “Quaresmal” e um “Marial”. A sua principal preocupação ao falar ao povo era fazer-se entender por todos. Por isso a sua catequese, tipicamente franciscana, era especialmente dirigida ao povo simples, pelo qual ele sentia particular atração.
Outra característica sua foi uma inesgotável caridade para com os pobres. Entre as diversas iniciativas, promoveu o simpático costume de recolher e distribuir prendas úteis para os pobres por ocasião do Natal. Também foi notável o seu zelo sacerdotal na assistência a presos e condenados à morte, a quem acompanhava até o lugar do suplício, para os consolar nos derradeiros momentos. Neste admirável ministério da caridade antecipou-se a São José Cafasso. Mandou restaurar a bela igreja de São Francisco em Lucera, centro da sua incansável atividade sacerdotal durante 35 anos. Às pessoas de quem era diretor espiritual recomendava a devoção a Santíssima Virgem, em especial no privilégio da Imaculada Conceição.
Aos 61 anos de idade morreu onde nascera, em Lucera, a 29 de novembro de 1742, o primeiro dia da grande novena da Imaculada. O seu corpo é venerado na igreja de São Francisco.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

26 de novembro: São Leonardo de Porto Maurício


São Leonardo foi proclamado pela Igreja como Padroeiro das missões entre fiéis, pela orientação particular que deu ao seu apostolado e pela amplidão da sua obra missionária, que se estendeu a todas as cidades da península itálica. Nasceu em Porto Maurício, na Ligúria, e frequentou em Roma o colégio gregoriano. Entrou ainda jovem na ordem dos frades menores, e desde o noviciado propôs imitar o mais fielmente possível a vida de São Francisco. Veio a conseguir o seu intento, sobretudo na penitência, que raiava pelo heroísmo, na altíssima contemplação e no zelo apostólico.
Ordenado sacerdote, dedicou-se por mais de 40 anos à pregação, com grande proveito para os fiéis, escolhendo como temas as mais importantes verdades cristãs, seguindo também  neste pormenor a exortação de São Francisco.
A simples apresentação da sua figura já constituía um bom princípio de pregação: austero, magro, ardente de fé e de amor. O seu estilo retórico, em conformidade com o costume da época valia-se de sinais exteriores destinados a causar impacto e mover à contrição e às lágrimas, apelando à sensibilidade. Neste clima se situa a grande devoção da Via Sacra, de que foi eminente divulgador. Deixou algumas obras escritas, desde simples esboços até tratados de ascética e de pregação.
A pregação de São Leonardo caracterizava-se por algo de dramático e até trágico. Multidões imensas acorriam a escutá-lo, e ficavam impressionadas pela sua palavra ardente, convidando à penitência e à piedade cristã. Dizia dele Santo Afonso Maria de Ligório, que era “o maior missionário do século”. Não era raro durante a sua pregação o auditório inteiro prorromper em pranto e em soluços. Pregou por toda a Itália, mas a região favorita foi a Toscana, por causa do jansenismo, que ele se propôs combater com todo o empenho, abordando para isso os temas que lhe pareceram mais eficazes: o nome de Jesus, a Virgem Maria e a Via Sacra. Quando ele fazia uma missão na Córsega, os bandidos desta atormentada ilha deram tiros para o ar gritando: “Viva Frei Leonardo! Viva a Paz!”.
Bastante desgastado pelos constantes trabalhos apostólicos, foi chamado a Roma, onde, em apaixonados sermões a que o próprio papa por vezes assistia, preparou o clima espiritual para o jubileu de 1750. Foi nessa altura que erigiu a Via Sacra no Coliseu, declarando sagrado aquele lugar onde muitos mártires tinham vertido o sangue por Cristo. No ano seguinte ainda se deslocou à região de Bolonha, para as suas últimas pregações.
Regressando a Roma, ao convento de São Boaventura no Palatino, a 26 de novembro, com 75 anos de idade, terminou a carreira terrena este incomparável missionário do povo cristão. As autoridades tiveram de recorrer às forças de segurança para controlarem a multidão dos devotos que queriam ver o Santo e levar relíquias dele. Foi a respeito dele que disse o papa Lambertini: “Perdemos um amigo na terra, mas ganhamos um Santo no céu”.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

25 de novembro: Beata Isabel Bona

A filha saiu aos pais, humildes e pobres de bens temporais, mas ricos de virtude: também ela se distinguiu desde a meninice por uma piedade rara, inocência virginal e um feito tão doce e amável que todos a tratavam como a "Boa" (Bona), sobrenome por que ficou a ser conhecida.
Quando Isabel contava 14 anos, o padre Conrado Kigelin, seu confessor, aconselhou-a a deixar o mundo e tomar o hábito da ordem terceira de São Francisco. Passou a viver segundo a regra franciscana primeiramente em sua própria casa; mas pouco depois achou melhor deixar os pais para ir viver com uma piedosa terceira franciscana. O demônio para impedir os progressos de Isabel no caminho da perfeição, atormentava-a com frequência. Enquanto ela aprendia a arte de tecelã, enrodilhava-lhe o fio, estragava-lhe o trabalho, fazia-a perder a metade do tempo em reparações de defeitos. Mas Isabel levava sempre a melhor com a sua paciência a toda a prova.
Quando ela completou 17 anos, o padre Conrado Kigelin orientou-a para uma comunidade feminina onde algumas religiosas seguiam com fervor a regra franciscana da ordem terceira. Enquadrada nessa comunidade, Isabel continuou sempre com a mesma doçura e obediência, assídua à oração e à penitência, preferindo os ofícios mais humildes, tão amante da solidão que só saía do convento por motivos de força maior, a ponta de lhe chamarem "a reclusa".
O demônio continuou a persegui-la de forma implacável, mas sem êxito. Foi atacada pela lepra e outros sofrimentos físicos. No entanto, essas novas provações ainda tornaram mais heróica a paciência de Isabel, que nunca se queixava de nada, pelo contrário, louvava a Deus por tudo.
E Deus compensou as virtudes da sua humilde serva, favorecendo-a com êxtases e visões maravilhosas. Durante o concílio ecumênico de Constança prognosticou o fim do cisma do ocidente e a eleição do papa Martinho V. Jesus concedeu-lhe a graça de experimentar os sofrimentos da sua Paixão e de receber no corpo a impressão das Chagas. Por vezes a cabeça aparecia ferida por espinhos. No meio das dores, exclamava: "Obrigada, Senhor, por me fazeres sentir as dores da tua Paixão!". As chagas apareciam apenas de vez em quando, mas os sofrimentos eram contínuos. O padre Conrado Kigelin, que foi sempre o seu diretor espiritual, deixou-nos uma biografia da sua dirigida, escrita por ele próprio. Isabel foi uma alma mística, rica de especiais carismas. Morreu a 25 de novembro de 1420, com 34 anos de idade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

24 de novembro: Beato Mateus Álvares

O pai de Mateus Álvares era português, e a mãe japonesa. O filho foi um cristão exemplar já em vida, mas, sobretudo na morte. Pertence ao número imponente dos convertidos japoneses depois da mais antiga experiência de evangelização desse país do extremo Oriente, ligado à história e à glória de São Francisco Xavier.

São Francisco Xavier tinha estado no Japão por volta de 1550, e aí lançara as primeiras sementes do apostolado cristão. Depois dele, a obra evangelizadora foi continuada pelos seus confrades da Companhia de Jesus, com êxito tanto mais surpreendente, quanto era difícil penetrar naquela cultura e mentalidade muito diferente da ocidental, e ainda devido à complexidade da língua japonesa.

Apesar disso, menos de 30 anos depois, em 1587, já se contavam no Japão mais de 200.000 cristãos. Um deles era o Beato Mateus Álvares. Batizado pelos franciscanos, tinha-se inscrito na ordem terceira de São Francisco e esforçava-se por viver segundo o espírito seráfico. Como bom japonês, conhecia perfeitamente as doutrinas e os costumes budistas, e isso permitiu-lhe sair vencedor em variadas discussões e obter numerosas conversões.

Durante certo tempo os missionários do Japão viveram em clima de tolerância e inclusivamente de simpatia. Mas de repente, por motivos diversos e complexos, foi decretada a expulsão dos missionários estrangeiros. Contudo, grande parte dos religiosos não fizeram caso do decreto e continuaram lá, na clandestinidade, prosseguindo com as devidas cautelas o trabalho de apostolado e assistência às comunidades cristãs. Sucedeu que a chegada de novos missionários e o seu proselitismo demasiadamente descarado sobressaltou as autoridades, que decretaram a prisão de todos os missionários e também de cristãos mais notáveis.

Mateus foi detido e levado para a cadeia, onde já encontrou outros cristãos e missionários. Todos sofreram refinadas e humilhantes torturas, entre as quais a de serem expostos à irrisão e escárnio das populações. Eram também solicitados a renegar a fé cristã; mas nem ele nem nenhum dos companheiros desertou. Finalmente a 8 de setembro de 1628 foi executado na colina próxima de Nagasáki, chamada mais tarde a Colina Sagrada. Foi primeiro atravessado com lanças cruzadas que lhe atravessaram o coração, e de seguida decapitado. Antes de morrer dirigiu-se pela última vez ao povo para exortar à perseverança, e aos verdugos para lhes declarar o seu perdão.

Sobre a Colina Sagrada, ou Colina dos Mártires, de Nagasáki, erguia-se um estandarte não de derrota, mas de perene vitória.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

23 de novembro: Beato Humilde de Bisigniano

Humilde, cuja terra natal é uma humilde povoação da província de Cosenza, região da Calábria, no sul da Itália, nasceu a 26 de agosto de 1582, e deu mostras duma extraordinária piedade: participava na missa todos os dias, comungava em todas as festas, orava e meditava na Paixão do Senhor em todos os momentos possíveis, até nos trabalhos agrícolas.

Os membros da confraria da Imaculada Conceição, em que se inscreveu, não lhe regateavam elogios, tomando-o por modelo de todas as virtudes. Quando uma vez alguém lhe deu em público uma grande bofetada, a sua única resposta foi apresentar a outra face ao malcriado agressor.

Aos 18 anos sentiu-se chamado à vida religiosa, mas teve de diferir por nove anos a realização desse ideal. Entretanto, continuando no mundo, levava uma vida de religioso. Aos 27 anos foi admitido ao noviciado dos Frades Menores, onde os encarregados da formação dos jovens candidatos eram dois santos religiosos. Embora as dificuldades continuassem, frei Humilde, recorrendo à intercessão de Maria, conseguiu superá-las, e emitiu os votos de consagração ao Senhor no dia 4 de setembro de 1610.

As referidas dificuldades radicavam sobretudo no dom do êxtase em que era frequentemente arrebatado, a ponto de lhe chamarem o “frade extático”. Quando tais êxtases começaram a ocorrer-lhe em público, os superiores acharam por bem sujeitá-lo a uma série de humilhantes provas, a ver se tais arroubos seriam de fato uma graça de Deus, e não um embuste. Suportadas e vencidas com êxito essas provações, passou a ser mais apreciado e venerado tanto entre os confrades como entre o povo.

Além do êxtase, foi agraciado com outros carismas, como perscrutação dos corações, profecia, milagres e ciência infusa. Apesar de ser analfabeto e pouco inteligente, certas respostas sobre a sagrada Escritura e a doutrina católica deixavam pasmados até mesmo teólogos de nomeada. O arcebispo de Réggio Calábria, como presidente duma assembléia de padres e teólogos, apresentou-lhe certas dúvidas e objeções, a que ele deu resposta rápida e correta. Levado perante o Inquisidor de Nápoles, Monsenhor Campanile, frei Humilde sempre respondeu com franciscana simplicidade.

O ministro geral dos frades menores teve por ele tal apreço que quis levá-lo como companheiro em visitas a várias províncias da ordem; e papas Gregório XV e Urbano VIII, que o chamaram a Roma e o fizeram examinar rigorosamente, depositaram nele grande confiança, a ponto de lhe pedirem orações e conselhos.

As virtudes em que mais se distinguiu foram a humildade, a obediência e a oração. Morreu aos 55 anos na terra onde nascera e passara os derradeiros anos da vida, Bisigniano, a 26 de novembro de 1637.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

22 de novembro: Beato Salvador Lilli

Nasceu para a vida terrena numa Capadócia da Itália, província de Áquila, e durante 15 anos trabalhou como missionário na célebre região da Capadócia, atualmente turca, junto à Armênia, onde nasceu pelo martírio para a vida do céu.

Foi o sexto e último filho de uma família de boa prática religiosa e situação econômica desafogada, devido à atividade comercial do pai. O ambiente familiar profundamente cristão fez germinar e crescer no menino Salvador sentimentos de fé e piedade, e ao mesmo tempo as possibilidades econômicas permitiram-lhe uma preparação e instrução escolar fora do comum.

Aos 18 anos, Salvador apresentou-se ao guardião do convento de São Francisco da Ripa, em Roma, pedindo para ser admitido na ordem dos frades menores. Em 1863 resolveu ir como missionário para a Terra Santa, onde desde os tempos de São Francisco os franciscanos são encarregados de cuidar de santuários e assistir a peregrinos. Continuou na Palestina os estudos de filosofia e teologia, primeiro em Belém e a seguir em Jerusalém, onde foi ordenado sacerdote em 1879. No ano seguinte foi à Turquia; como conhecia diversas línguas orientais, a árabe, a turca e a armênia, desenvolveu um frutuoso apostolado entre os cristãos dessas regiões, sobretudo em Marasc.

Em 1885 voltou à Itália para visitar a família e os confrades, e logo no ano seguinte regressou a Marasc, onde, como superior da missão no quadriênio de 1890-1894 realizou importantes obras de caridade e de assistência social em favor dos fiéis.

Coadjuvado por outros confrades, durante 15 anos a sua ação apostólica não se limitou a atividades religiosas, senão que também fomentou a instrução e a promoção social dos pobres. Graças aos seus extraordinários dotes de inteligência e de coração e ao perfeito conhecimento da língua turca, tanto falada como literária, depressa e sem dificuldade granjeou o afeto dos cristãos e a estima e o respeito dos não cristãos, inclusivamente das autoridades, devido sobretudo aos empreendimentos de ordem social, como o de ter adquirido uma grande propriedade e a ter dotado de alfaias agrícolas e ter aberto um dispensário.

Em 1885 os mulçumanos desencadearam uma perseguição armada, sistemática e feroz contra a minoria armênia da região. Frei Salvador, que havia dezesseis meses era pároco, além de superior da fraternidade, recusou fazer-se muçulmano. Ferido numa perna, e depois feito prisioneiro com dez dos seus paroquianos, foi assediado pelos maometanos, com subornos e com ameaças, no intuito de o fazerem apostatar. Mas manteve-se sempre firme e inquebrantável; e apesar da ferida da perna, que provocava grande perda de sangue, ainda confortava e animava os outros, dizendo-lhes: “Meus filhos, sede fortes na fé, não vos façais muçulmanos. O sofrimento passa depressa, e no céu está à nossa espera Jesus com todos os seus santos. Coragem! Depois do martírio espera-nos a coroa de glória no paraíso”.

No dia 22 de novembro de 1895, junto com sete cristãos armênios seus paroquianos, foi imolado a golpes de baioneta. No dia 3 de outubro de 1982, como conclusão do oitavo centenário do nascimento de São Francisco (1182-1982), o papa João Paulo II proclamava Bem aventurados Salvador Lilli e os sete cristãos seus companheiros no martírio pela fé em Cristo.

domingo, 20 de novembro de 2011

21 de novembro: Beata Maria Crucificada (Isabel Maria) Satellico


Isabel Maria nasceu em Veneza no último dia do ano de 1706. Recebeu a primeira educação cristã dos pais e de um tio sacerdote. Era de saúde delicada, e mostrava grandes qualidades para a música e o canto, mas mais ainda para a oração.
Recebida entre as clarissas para ser por elas orientadas nos caminhos de Deus, prestou-lhes bons serviços como organista e diretora de canto. Aos 19 anos foi recebida como noviça e mudou o nome para Maria Crucificada, pela devoção que consagrava a Maria e à Paixão de Cristo.
Conjugava com uma sublime contemplação uma rigorosa austeridade e penitência, participando assim mais intimamente nos sofrimento do Senhor. O seu ideal foi a perfeita conformação com Cristo crucificado, unida à caridade para com o próximo, e uma filial devoção à Santíssima Virgem. Eleita como abadessa, distinguiu-se pela solicitude para com as irmãs e para com os pobres. Morreu a 8 de novembro de 1745, e é nessa data que se celebra a sua memória litúrgica.

sábado, 19 de novembro de 2011

20 de novembro: Beata Paula Montaldi

Nascida em 1443, com 15 anos entrou no mosteiro das irmãs clarissas de Santa Luizia, Mântua, onde foi abadessa durante muitos anos. A Paixão de Jesus era para ela o assunto mais frequente das conversas, bem como das meditações e contemplações. Foi também singularmente devota da Eucaristia. Levava uma vida austera, com cilícios, flagelações e jejuns, e sentia-se feliz nas humilhações, fadigas e trabalhos.

No relacionamento com as irmãs mostrava-se cheia de caridade e sempre pronta a ajudá-las em qualquer necessidade. Sob a sua direção o mosteiro de Santa Luzia ganhou fama pelas numerosas vocações e pela vida seráfica das religiosas.

Em agradecimento ao Senhor pelos favores por ele concedidos, costumava repetir esta oração: “Meu Deus, eu te amo de todo o coração, com um amor sem medida, e nunca deixarei de cantar os teus louvores”. Nos 56 anos de vida religiosa, nunca causou qualquer desgosto às irmãs. Como superiora, procurou não apenas o bem espiritual das religiosas, mas também o bem material da comunidade, convencida de que não pode haver perfeita observância da regra se falta o indispensável para a vida. No jardim mandou abrir um poço, que veio a chamar-se o “Poço da Beata Paula”, a cuja água se tem atribuído propriedades curativas.

Era grande a sua confiança em Deus. Amiúde repetia a expressão de São Paulo: “Sei em quem confio!”. Era às vezes arrebatada em êxtase, e outras vezes ouviram-se coro angélicos a cantarem junto ao sacrário. Escreveu vários opúsculos, em especial sobre o nome de Jesus, que lamentavelmente se perderam.

Um dia, estando a orar em êxtase diante dum crucifixo situado ao cimo dumas escadas, foi atacada pelo demônio, que a lançou por terra. Socorrida pelas irmãs, foi reclinada num enxergão. Eram os seus últimos dias e as suas últimas palavras. Exausta pelas prolongadas vigílias, pelos rigorosos jejuns e outras ásperas penitências, assistida pelo seu confessor e pelas irmãs, apertando contra o coração o crucifixo repetia mais uma vez a sua jaculatória predileta “Paixão de Cristo, Sangue de Cristo, misericórdia!”, expirou serenamente no dia 18 de agosto de 1514. Tinha 71 anos, 56 dos quais passados no mosteiro.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

19 de novembro: Santa Inês de Assis

Inês era irmã de Clara, mais nova do que ela, nascida em Assis em 1198. Em princípios de abril de 1212 foi juntar-se à irmã, que quinze dias antes tinha fugido da casa paterna para abraçar o ideal franciscano e se recolher no mosteiro de Santo Ângelo, nas faldas do Subásio, perto de Assis. Os parentes, exasperados com semelhantes gesto, que consideravam um segundo atentado contra o bom nome da família, serviram-se de todos os recursos para tentarem impedi-la de realizar os seus intentos, sem excluírem mesmo a violência física: Inês chegou a ser brutalmente ferida pelo seu tio Monaldo, que teve o atrevimento de violar a clausura e a tranquilidade do mosteiro. Porém, nem mesmo a força bruta conseguiu fazer vergar a jovem. Foi São Francisco quem sugeriu para a nova consagrada o nome de Inês, porque, pela fortaleza de que dera provas, esta jovem de 15 anos recordava a valentia da mártir romana Santa Inês.

Em 1212 São Francisco trouxe as duas irmãs para São Damião. Em 1220 Inês foi enviada para Florença, como abadessa do mosteiro de Monticelli, fundado no ano anterior. Mas muitos outros mosteiros de Clarissas se orgulham de ter hospedado a santa. Mais tarde regressou a São Damião, onde foi agraciada com uma aparição do Menino Jesus, por isso se representa por vezes Santa Inês com o menino Jesus nos braços. Em Assis Inês assistiu à morte da irmã Clara no dia 12 de agosto de 1253.

No coro do pobrezinho convento de São Damião ainda se podem ler os nomes das primeiras companheiras que seguiram as pegadas de Santa Clara e São Francisco pelo caminho da renúncia total e absoluta pobreza. São conhecidos nomes de senhoras e jovens de Assis que em São Damião tiveram o seu primeiro ninho: Hortolana, Inês, Beatriz, Pacífica, Benvinda, Cristiana, Amada, Iluminada, Consolada... Os três primeiros nomes pertencem a mulheres da família de Santa Clara: Hortolana era a sua mãe, e Inês e Beatriz eram suas irmãs.

Inês foi a primeira a seguir o exemplo da irmã Clara, quinze dias depois dela, pouco depois veio a outra irmã, Beatriz, e por fim a mãe Hortolona. Inês, além de ter sido a primeira, também foi a que mais fielmente seguiu a irmã, vivendo à sua sombra luminosa, sempre delicada e obediente, duma firmeza de caráter exepcional, quase viril, em especial na observância da pobreza. Como superiora foi terna e caridosa, mas inflexível e tenaz. Depois do regresso a São Damião, morreu serenamente três meses depois da irmã Santa Clara, a 16 de novembro de 1253, com 55 anos de idade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

18 de novembro: Beata Salomé de Cracóvia

Salomé, princesa polaca, nasceu em 1211. Em conformidade com os costumes da época, aos três anos de idade foi prometida como esposa a um príncipe de seis anos, Colomano, filhos do rei da Hungria. A cerimônia da coroação teve lugar no outono desse mesmo ano, e com autorização do papa Inocêncio III foi presidida pelo bispo de Strigônia.

O reinado das duas crianças durou menos de três anos, porque um outro príncipe se insurgiu contra eles e os fez prisioneiros. Nessa altura, contando Salomé com 9 anos e Colomano 12, ambos de comum acordo fizeram voto de castidade. Quando André, filho do rei da Hungria, destituiu o usurpador e repôs a normalidade da situação, puderam ambos regressar à corte húngara.

Ao completar de 16 anos e atingir a maioridade, Salomé considerou-se sempre ligada ao voto de castidade que fizera, e sabendo que a sua beleza poderia seduzir os homens, procurava evitá-los, usava roupas modestas e recusava-se a tomar parte nas festas e diversões mundanas da corte, dedicando à oração o tempo que dessa forma poupava.

Colomano, ainda em vida do pai, governou a Dalmácia e a Eslavônia até morrer até morrer em 1241 numa batalha contra os Tártaros. Entretanto Salomé protegia e ajudava os conventos dos franciscanos e dominicanos. Um ano depois da morte do marido, regressou à Polônia, onde em 1245 vestiu o hábito das irmãs clarissas. Nesse mesmo ano, associada ao seu irmão Boleslau, fundou uma igreja e respectivo convento para os franciscanos, e para as clarissas um hospital e um mosteiro onde ela mesma se enclausurou.

Perante a ameaça dos Tártaros, em março de 1259 parte das clarissas transferiu-se para Skala, onde Salomé fundou novo mosteiro que dotou com alfaias de culto e ornamentos litúrgicos. Durante 28 anos viveu no silêncio e recolhimento do mosteiro, onde foi modelo de penitência, abnegação, humildade, inocência e caridade. Por muitos anos foi uma abadessa bondosa, afável, serviçal, apaixonada pelo ideal da pobreza seráfica.

A 17 de novembro de 1268 foi favorecida com uma aparição da Virgem Santíssima e de seu Filho, percebendo do que se tratava reuniu as irmãs, exortou-as à mútua caridade, à paz, à pureza de coração, à obediência sem limites e ao desprendimento das coisas do mundo. Pouco depois as irmãs viram uma espécie de pequena estrela a formar-se sobre ela e a subir ao céu. Salomé de Cracóvia entregava a Deus a sua bela alma, aos 57 anos. Os seus restos mortais foram mais tarde traslados para a igreja dos franciscanos de Cracóvia, onde ainda hoje se encontram.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

17 de novembro: Santa Isabel de Hungria


Esta Santa do século XIII, padroeira da Ordem Terceira Franciscana, consumou a curta vida na prática do bem, deixando atrás de si uma esteira luminosa de amor, exemplo que a cristandade jamais esqueceu.

Isabel era uma princesa, filha do rei André da Hungria e sua esposa Gertrudes. Nascida em 1207, quando ainda era criança foi dada por esposa a Luís, conde da Turíngia, em cujo palácio cresceu no amor de Deus e do próximo. Passava noites inteiras em oração, e os dias a visitar doentes e socorrer os necessitados. Mas a sua grandeza da alma brilhou sobretudo após a morte do esposo, que se inscrevera numa cruzada, pois a família do defunto despojou-a de todos os bens e pô-la na rua com os filhos. Assim, aquela que tinha ajudado tanta gente e construíra hospitais para os súditos, viu-se forçada a procurar abrigo num estábulo de animais. No entanto, não queixou dessa tremenda injustiça: Pelo contrário, dirigiu-se a uma igreja dos Frades Menores e pediu para cantarem um Te Deum em ação de graças, por o Senhor a ter assemelhado a si na pobreza. Vestiu o hábito da Ordem Terceira e recebeu de São Francisco o próprio manto como prenda.

Quando mais tarde a justiça lhe repôs os direitos usurpados, que ela reivindicou para os filhos, não mudou de vida: continuou sempre a trabalhar com suas próprias mãos para ajudar os pobres. Com frequência recebia visitas do Senhor na oração.

Nos curtos 24 anos da vida terrena, Santa Isabel experimentou riqueza e miséria, honras e desprezo, e santificou todas as condições de vida duma mulher: extremamente religiosa desde a juventude, esposa afetuosa, mãe carinhosa de três filhos, senhora empenhada no bem do seu povo, viúva precoce espoliada de todos os bens, com três filhos famintos a sustentar e a educar, e em todas as circunstâncias irradiava alegria divina, porque sempre e em tudo se sentia amparada pelo amor de Deus. E o Senhor não a abandonou: os filhos foram reconhecidos como príncipes herdeiros. Para si mesma conservou apenas o tesouro inestimável da pobreza franciscana, que lhe tinha revelado a doçura de Deus.

A faceta mais característica da sua vida é a caridade para com os pobres, a quem ajudava com régia generosidade e visitava nas barracas onde viviam. É célebre o episódio do seu marido, Luís, que cruzou com a esposa quando ela levava escondidas debaixo da capa provisões para alguns pobres. Perguntando-lhe ele o que levava escondido, ela simplesmente levantou a capa, e apareceu um belo buquê de rosas, apesar de estar em pleno inverno. Outra vez foi um leproso a quem ela tinha lavado os pés e dado de comer, e depois deixara dormir no seu próprio leito. Quando o marido regressou e soube do caso, ficou indignado e quis ver quem era esse leproso que se tinha enfiado na sua própria cama. Qual não foi o seu espanto quando ao abrir a porta viu o próprio Cristo num nimbo de luz, que logo desapareceu e deixou radiante os dois cônjuges.

Morreu aos 24 anos, a 17 de novembro de 1231, e foi sepultada em Marbugo no dia 19 do mesmo mês.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

16 de novembro: São Luís Guanella



Natural duma povoação italiana dos Alpes Bergamascos, foi o nono dos treze filhos de uma piedosa família, que desde a infância lhe incutiu uma fé viva e operante, um constante amor ao trabalho e uma terna caridade para com os pobres.

Passada a infância entre os montes que sempre recordou com saudade, freqüentou primeiro o Colégio Gálio em Como, e depois, para os estudos eclesiásticos, os seminários diocesanos. Em todos esses centros de estudo se salientou pela piedade, amabilidade e aproveitamento nas disciplinas escolares.

Ordenado sacerdote em 1868, foi em várias freguesias pároco e ao mesmo tempo mestre-escola, pois tinha diploma de professor chegando mesmo a construir uma escola primária. Além disso, tomou iniciativas benéficas em favor dos pobres, e organizou a Ação Católica Juvenil, recentemente fundada. Em 1875 foi a Turim encontrar-se com João Bosco, de quem aprendeu o caminho da santidade e o método pedagógico. Vinculou-se então com votos religiosos à Sociedade Salesiana. Mas em 1878 foi chamado pelo bispo à sua diocese, para ser novamente nomeado pároco. Foi nessas circunstâncias que soou para ele a hora da graça, com a primeira fundação das obras de há muito sonhadas em favor dos pobres abandonados.

Como vários santos sacerdotes do seu tempo, por exemplo, João Bosco, José Cafasso, José Bento Cotolengo e outros, também ele fundou várias obras de beneficência, que rapidamente floresceram devido à dedicação e às qualidades pedagógicas dos seus colaboradores.

Devoto e admirador de São Francisco de Assis, ingressou na Ordem Terceira. Da vida do pobrezinho assumiu o espírito de pobreza e de perfeita alegria, de grande confiança em Deus e continuar a obra fundou duas congregações religiosas: os Servos da Caridade (Guanelianos) e as Filhas de Santa Maria da Providência (Guanelianas). A obra desenvolveu-se admiravelmente tanto na Itália como no estrangeiro. A pia união do Trânsito de São José, por ele iniciada em Roma, conta hoje com mais de dez milhões de membros.

Numa época de exacerbado anticlericalismo, as autoridades laicas não viram com bons olhos essas obras, e ele foi alvos de injustiças e perseguições, mas tudo venceu com a força da fé e o fogo da caridade. Foi à América acompanhado de emigrantes, e muito trabalhou para a assistência religiosa aos mesmos. Para instruir a juventude abriu escolas de iniciação e oratórios. Para assistir às vítimas de terremotos, não poupou energias nem meios materiais.

Em Como, no dia 24 de outubro de 1915, aos 73 anos, concluiu a sua atividade terrena este herói da caridade. O seu corpo venera-se no santuário do Sagrado Coração, em Como.

Foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 23 de outubro de 2011.

15 de novembro: Serva de Deus Maria da Paixão



Helena Chapotin nasceu em Nanci, França, a 21 de Maio de 1839, e faleceu em S. Remo a 15 de novembro de 1904. Superadas muitas provas, em 1865 ingressou na congregação das religiosas da Maria Reparadora em Tolosa, e logo no ano seguinte partiu para a Índia, onde foi superiora e seguidamente provincial da missão de Medura, onde com zelo incansável deu novo alento às atividades missionárias já iniciadas e as multiplicou.

Chamada a Roma em 1877, com a benção de Pio IX fundou uma nova congregação, das irmãs franciscanas de Maria (vítimas, adoradoras e missionárias), a qual em 1885 foi agregada à ordem franciscana regular sob a obediência dos frades menores. Em 1896 Leão XIII aprovou as constituições do novo instituto, redigidas pela fundadora. Foi ela quem até à morte o governou, multiplicando casas e obras com uma rapidez assombrosa por toda a Europa e mais ainda em terras de missão.

Contudo, na véspera da morte, reconheceu: “Se o instituto fosse obra minha, morreria comigo. Mas é obra de Deus!”. Seguindo as pisadas da fundadora, as franciscanas missionárias de Maria oferecem com gosto a própria vida para completarem o que falta à Paixão de Cristo. Um refrão muito repetido pela madre Maria da Paixão era este: “A nossa pátria é todo o gênero humano”. Por isso as religiosas do seu instituto estão sempre prontas para irem viver em qualquer parte e aí darem testemunho do Evangelho, em especial nos países e lugares onde a Igreja está menos presente, no meio dos pobres e deserdados. Desde o sangue das sete santas mártires da China em 1900, até os incontáveis e obscuros sacrifícios de tantas outras irmãs, entre as quais a B. Maria Assunta Pallotta, as missionárias de Maria têm pago com a vida, e por vezes com o próprio sangue, a sua dedicação a povos e países que se encontram em situação dramática.

Para conferir a esse ideal uma base sólida e segura, a fundadora não encontrou melhor ponto de apoio do que o espírito de Francisco de Assis. Desde a juventude ela se sentira atraída pelo santo pobrezinho. Quando se lhe tornou possível enxertar no tronco robusto da família franciscana o novo rebento que Deus por seu intermédio suscitara, para dela receber uma maior participação de espírito evangélico, de pobreza, de simplicidade e de alegria, sentiu plenamente realizado o seu próprio carisma e o desígnio de Deus sobre ela e sobre a sua obra.

Da mesma seiva e do mesmo espírito se nutrem ainda hoje as 9.000 franciscanas missionárias de Maria, pertencentes a 63 nacionalidades e distribuídas por mais de 73 países dos cinco continentes, continuando a obra de Maria da Paixão. A extrema diversidade das irmãs da congregação quanto a origens, línguas, culturas e atitudes, bem como a vastíssima gama de compromissos apostólicos, encontram em Cristo, Palavra e Pão, um centro de união e comunhão na diversidade, que foi sempre característica fundamental do Instituto das Franciscanas Missionárias de Maria.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

14 de novembro: Santos Nicolau Tavelic, Deodato de Rodez, Pedro de Narbona e Estevão de Cúneo

Nicolau Tavelic (1340 -1391)

É o primeiro croata canonizado, uma figura extrordinária no ambiente do seu tempo. Nasceu por volta de 1340 em uma cidade da Dalmácia, e quando era ainda adolescente ingressou na ordem dos frades menores. Depois de ordenado sacerdote foi enviado como missionário para a Bósnia, onde durante 12 anos se dedicou totalmente à conversão dos bogomilos, hereges de tendência maniqueísta, juntamente com Deodato de Rodez.

Em 1384 dirigiram-se ambos à Palestina, onde se associaram a outros dois confrades, Pedro de Narbona e Estevão de Cúneo, todos eles futuros mártires de Cristo. Entretanto fixaram-se em Jerusalém, no convento de São Salvador, em oração e estudo. Depois de muito meditar sobre o assunto, Nicolau p, Nicolau pojetou uma missão muito ousada. Missão com que já sonhada anteriormente por São Francisco, movido pelo Espírito Santo, pelo zelo da fé e pelo desejo de martírio. Tratava-se de anunciar publicamente em Jerusalém, aos chefes dos mulçumanos, a pessoa e a doutrina de Cristo.

Deodato

Nasceu em uma cidade francesa que nos textos originais latinos é designada por Ruticinium, identificada com a cidade atualmente chamada Rodez, sede episcopal, a uns 600 quilômetros a sul de Paris. Fez-se frade menor quando ainda era moço, e foi ordenado sacerdote na província franciscana da Aquitânia.

Por volta de 1373 o vigário geral P. Bartolomeu do Alverne fizera um apelo com o fim de recrutar religiosos para uma particular expedição missionária à Bósnia. Um bula de Gregório XI publicada nessa altura apresentava boas perspectivas para o progresso da fé nessas zonas infestadas pela heresia dos bogomilos, seita herética de fortes tendências maniqueias, cujos principais representantes uniam aos erros dogmáticos uma rígida austeridade de vida.

Deodato de Rodez foi parar a esse campo de atividade para secundar o desejo do vigário geral da ordem e do papa Gregório XI, e pelos mesmos motivos e nas mesmas circunstâncias foi também Nicolau Talevic. Do encontro entre os dois santos nasceu uma profunda amizade, que os amparou durante quase 12 anos no meio de enormes dificuldades e canseiras, comparáveis às dos grandes missionários da Igreja. Há um relato pormenorizado dessa heróica expedição apostólica da Bósnia, bem como do martírio ocorrido posteriormente.

Em 1384 foram ambos para a Palestina, onde se encontraram com outros dois confrades já mencionados, com quem viriam a compartilhar as atividades apostólicas e a palma do martírio.

Pedro de Narbona

Da província franciscana da Provença, durante vários anos aderiu à reforma iniciada em 1368 na Úmbria e tendente a uma mais perfeita observância da regra de São Francisco. Em pouco tempo essa onda reformista se espalhou por toda a Úmbria e pelas Marcas, a ponto de em 1373 já contar com uma dezena de eremitérios. Tratava-se de um movimento de fervor que procurava renovar o elã inicial da vida franciscana, em especial no ideal da pobreza e na prática da piedade. O fato de Pedro de Narbona ter vindo do sul da França para os eremitérios da Úmbria mostra bem o seu fervor religioso e esclarece bem tanto a sua vida anterior como a sua permanência em Jerusalém.

Estevão

Natural de Cúneo, no Piemonte, fez-se frade menor em Génova, na província franciscana da Ligúria. Durante 8 anos trabalhou ativamente na Córsega, como membro do vigariato franciscano dessa ilha. Pode-se dizer que terá feito aí um bom noviciado apostólico. Depois passou como missionário para a Terra Santa, onde a 14 de novembro de 1391 selou com o martírio a pregação do evangelho, demonstrando que o islamismo não é a religião verdadeira, e que Cristo, e não Maomé, é o enviado de Deus para salvar a humanidade.

No dia 11 de novembro de 1391, após intensa preparação, os quatro missionários puseram em prática o prejeto delineado. Saíram juntos do convento, levando cada um deles um papel dobrado ao meio, com uma página interior escrita em latim e outra em árabe. Dirigiam-se à mesquita, mas os árabes não os deixaram entrar, e perguntaram-lhe o que queriam. Eles responderam que queriam falar com o Cadi, pois tinham a dizer-lhe coisas muito úteis para a salvação . Responderam os mulçumanos que o Cadi não estava na mesquista, mas lhe indicariam onde era a casa dele.

Quando chegaram na presença dele, abriram os papéis e leram os escritos, explicando-os e apresentando as suas razões, mais ou menos nesses termos: “Senhor Cadi, e senhores todos aqui presentes, pedimo-vos que escuteis as nossas palavras e lhes presteis a máxima atenção, porque tudo quanto vamos dizer é muito importante para vós; é justo e verdadeiro, isento de qualquer embuste, e útil para aqueles que o queiram pôr em prática”. E começaram a fazer uma exposição da mensagem do evangelho de Cristo, o único Salvador, demonstrando ao mesmo tempo a falsidade da lei de Maomé. Reuniu-se grande multidão de mulçumanos, que numa primeira reação se mostraram espantados, depois irritados, e finalmente furiosos. Nunca tinham ouvido semelhantes afirmações contra o Corão nem contra o Islã.

Ao ouvir este discurso inflamado, o Cadi dirigiu-se aos quatro religiosos preguntando-lhes: “Isso que estais por aí a dizer, dizei-lo com pleno conhecimento e liberdade, ou resulta de um momento de exaltação fanática, sem controlo da razão? Foi por ventura o papa ou algum rei da cristandade que vos mandou cometer semelhante loucura?”. Os religiosos responderam imediatamente: “Viemos aqui simplesmente enviados por Deus. E vós, se vos recusais a acreditar em Cristo e a receber o batismo, não tereis a vida eterna”.

Forma imediato condenados à morte, e no dia 14 de novembro de 1391 foram assassinados, despedaçados e queimados.

domingo, 13 de novembro de 2011

13 de novembro: São Diogo de Alcalá



Diogo nasceu pelo ano de 1400 em São Nicolau do Porto, na região espanhola de Andaluzia. Sentindo desde muito novo inclinação  para vida solitária e penitente, durante vários anos viveu como eremita junto da igreja de São Nicolau, no seu torrão de natal. No entanto, à oração e contemplação aliava o trabalho manual, como cultivo de uma horta e a confecção de cestos de vime e pequenos utensílios para uso doméstico, os lucros desses trabalhos destinava-os por inteiro a ajudar os pobres. A fama de sua virtude estendeu-se a povoações vizinhas, e passou a ser venerado por muita gente.
Entretanto começou a sonhar em voos mais altos, e resolveu ingressar na ordem dos frades menores. Dirigiu-se nesse intuito a um convento próximo de Córdova, onde foi admitido ao noviciado, e a seu tempo à profissão dos votos religiosos. Exerceu vários ofícios humildes em diversos conventos da província religiosa, até que em 1441 foi enviado às Canárias para evangelizar os nativos, que tinham recaído em superstições e idolatrias. Só por obediência aceitou o cargo de guardião de um convento para o qual fora eleito em 1446. Dedicou-se com especial empenho a defender os indígenas da exploração por parte dos consquistadores, que por isso mesmo lhe levantaram muitas dificuldades e causaram muitas contrariedades, a ponto de em 1449 pedir autorização para regressar à Espanha. No ano seguinte em 1450, foi com um confrade a Roma, para ganhar o jubileu e assistir à canonização de São Bernardino de Sena.
Aconteceu que o convento romano de Araceli, onde os dois religiosos se tinham hospedado, foi atingido pela epidemia que nesse ano flagelou a cidade de Roma, e quase todos os frades, que eram muitos, caíram doentes. Diogo desfez-se em cuidados para com eles, quer a respeito de tratamentos, quer para providenciar ao sustento necessário, que era escasso, apesar das providências tomadas pelas autoridades públicas. Foi um autêntico herói nesse apostolado de caridade, cuidando dos doentes e socorrendo os pobres mais afetados pela carestia resultante da peste. Chegou a curar muitos enfermos pelo simples contato das mãos, untada no azeite da lâmpada colocada junto à imagem de Nossa Senhora.
Ao voltar à pátria, viveu de novo em diversos conventos antes de a morte lhe abrir as portas do céu, em Alcalá de Henares, perto de Madrid, a 12 de novembro de 1463, aos 63 anos de idade. A fama de santidade de vida desse humilde irmão leigo franciscano, unida aos muitos milagres que Deus por sua intercessão realizou, levou Sisto V a inscrevê-lo no catálogo dos santos, a 2 de julho de 1558.
São Diogo de Alcalá fez reviver a figura daqueles irmãos, simples e humildes, que nos tempos do franciscanismo primitivo foram o orgulho e a alegria de São Francisco, que no trabalho, no silêncio e na penitência conquistavam almas para Cristo. Na ordem franciscana é venerado como especial patrono dos irmãos não clérigos.  

12 de novembro: Beato João da Paz


De João da Paz conservam-se notas biográficas em três dísticos colocados no seu túmulo. Neles se afirma em resumo que era de nobre estirpe, que viveu inicialmente como eremita numa mata solitária, mas depois, por amor de Deus, voltou à sua cidade natal e aí construiu uma igreja dedicada à Santíssima Trindade e um oratório a São João Evangelista.
Nasceu em Pisa, em 1270, mais ou menos. Recebeu o apelido “da Paz” por ter vivido muito tempo num eremitério situado junto de uma porta da cidade chamada “porta da paz”. Teve na juventude uma educação e formação verdadeiramente cristã. Não admira por isso que o seu nome figure entre os primeiros cristãos de Pisa que abraçaram a ordem terceira da penitência, recentemente instituída pelo pobrezinho para santificação dos simples fiéis.
Antes de se fazer terceiro franciscano tinha sido soldado da república de Pisa. Entretanto, iluminado pela graça, foi refletindo sobre seu modo de vida militar, que não lhe pareceu consentâneo com o espírito do Evangelho. Por isso decidiu separar-se do mundo e seguir Jesus mais de perto, pelos caminhos da penitência. Contava com 35 anos quando trocou a vida militar pela de terceiro franciscano.
Propôs-se reativar “A Pia Casa da Misericórdia”, com o fim de aliviar os sofrimentos dos pobres, dar abrigos a peregrinos e dedicar-se a outras obras de caridade. Mas não se limitou a isso, até porque o seu ideal e a sua grande aspiração era a vida eremítica. Nesse intuito construiu uma cela junto à porta da paz, e aí se dedicou à penitência e a oração, a fim de alcançar de Deus o perdão para as próprias culpas e implorar para os seus compatriotas, frequentemente vítimas de sangrentas lutas, anelada paz. Durante vários anos João fez brilhar a cidade de Pisa com o esplendor das suas virtudes, e o seu nome andava na boca de toda a gente, para quem ele se mostrava sempre afável e carinhoso, desfazendo-se para bem de todos.
Deus fez dele pai espiritual de numerosos discípulos que lhe seguiram o exemplo e se vieram a chamar os “eremitas terceiros franciscanos”. Foi a eles que em 1330 o acerbispo de Pisa entregou o eremitério de Santa Maria da Sambuca, que sob a sua direção veio a produzir belos frutos de santidade. Aí deixou João um grupo dos seus eremitas, enquanto ele voltou para o seu oratório da porta da paz, onde passou o resto dos seus dias numa vida mais celestial do que terrena.
Ao atingir a idade de 70 anos, consumidos pela vida austera a que se sujeitara, preparou-se para a morte, que o veio acolher como terna irmã, a 13 de novembro de 1340.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

11 de novembro: Beato Gabriel Ferretti




Gabriel Ferretti nasceu em Ancona por volta de 1385, e aos 18 anos, contra vontade dos pais, iniciou o noviciado entre os frades menores no convento de São Francisco do Alto, onde passado esse ano de prova se consagrou totalmente a Deus pelos votos de pobreza, castidade e obediência.
No recolhimento e no silêncio do eremitério onde passou a viver, todos concentrado em Deus e na prática da vida religiosa, aprofundou o estudo das ciências teológicas, e uma vez ordenado sacerdote, dedicou-se ao apostolado entre pobres e doentes, e não tardou muito a ser conhecido como “o padre de Ancona”.
As virtudes e raras qualidades de Gabriel não passaram despercebidas aos superiores religiosos, que em 1245 o nomearam guardião do convento de São Francisco do Alto, convento que ele se apressou  a restaurar e melhorar, sem deixar de prestar abnegada assistência às vítimas da peste que assolou a região durante dois anos.
Em 1434, os frades menores da província das marcas, reunidos em capítulo, elegeram-no ministro provincial, o que muito contribuiu para nessa província se propagar eficazmente a fiel observância da regra franciscana. O papa Eugênio IV concedeu-lhe amplas faculdades para abrir novos conventos, privilégio que ele não desperdiçou em benefício da ordem. Mas apesar das múltiplas e constantes ocupações e preocupações que tal tarefa exigia, nunca deixou de se interessar pelo seu velho convento e pelos seus concidadãos de Ancona.
Em 1438, por sugestão do seu íntimo amigo São Tiago da Marca, foi convidado pelo ministro geral P. Guilherme de Casal a pregar na Bósnia, onde já tinham anunciado a Palavra de Deus o mesmo São Tiago da Marca e outros religiosos franciscanos. Mas a assembléia municipal de Ancona, que não queria ver-se privada da solícita assistência do santo frade, pediu para o deixarem continuar na sua cidade, e a petição foi atendida. Assim, Frei Gabriel não chegou a sair das Marcas, prosseguindo na obra de assistência aos pobres e doentes da cidade.
A sua terna devoção a Maria fez dele um divulgador da coroa seráfica dos sete gozos de Nossa senhora, e a Mãe do céu recompensou o amor filial do seu servo com aparições e doces colóquios. E Deus não deixou também de premiar as virtudes do humilde franciscano com o dom da profecia e dos milagres. Cassandra, uma sua sobrinha impossibilitada de caminhar, recorreu ao valimento do tio, que com um simples sinal da cruz traçado sobre a articulação afetada a curou imediatamente.
Gabriel terminou a sua virtuosa e laboriosa carreira na terra aos 71 anos no convento de Ancona, no dia 12 de novembro de 1456, assistido por São Tiago da Marca, que no funeral exaltou as virtudes do seu santo confrade.

10 de novembro: Beata Ângela Salawa





Filha de um casal de agricultores pobres, mas muito religiosos, Ângela nasceu em uma região árida e improdutiva situada a uns 18 quilômetros de Cracóvia.
Era a mais nova de nove irmãos e além disso, nasceu e cresceu mal nutrida, fraca e enfermiça. Quanto a qualidades morais, era um tanto desobediente e caprichosa. Frequentou na escola da terra os dois anos de estudo possíveis, e aí mal aprendeu a ler menos mal, mas mal aprendeu a escrever. Ficou a gostar de ler bons livros, sobretudo livros de piedade. Aos 12 anos começou a empregar-se em trabalhos domésticos em casas da vizinhança. Aos 16 anos, em busca de melhores condições de trabalho, foi para Cracóvia, onde já residia uma sua irmã, Tereza, que a ajudou a arranjar o primeiro emprego. Os primeiros tempos, contudo, foram difíceis, e viu-se obrigada a mudar de ocupação com freqüência. Resolveu então inscrever-se na Associação de santa Zita, das empregadas domésticas. De início levou uma vida pouco exemplar, pois era vaidosa, frívola e pouco piedosa, ao contrário da irmã, que, toda se esforçava por seguir o caminho do céu; ela também queria chegar lá, mas mais devagar... Não obstante, continuou mais ou menos assídua às práticas de piedade e fiel no cumprimento dos deveres religiosos, talvez mais por rotina que por convicção.
Os conselhos da irmã e a morte prematura da mesma levaram-na a mudar de conduta e a tomar a vida mais a sério. Foi pondo de parte a frivolidade nas diversões e a vaidade no modo de se apresentar, conservando apenas aquela dignidade própria de uma filha de Deus. Fez também progressos na vida de piedade, chegando a ser a orientadora de algumas companheiras. Chegou mesmo a pensar em entrar num mosteiro. Consultado o confessor a esse respeito, optou por fazer simplesmente um voto de castidade perpétua. Foi descobrindo pouco a pouco que a sua vocação era sofrer com Cristo, e embora consciente da sua debilidade, aceitou-a. Deliciava-se em longas orações diante do SS. Sacramento; lia livros de mística tomando nota de passagens mais interessantes. Por ordem do confessor, começou escrever um diário, para anotar as suas vivências místicas, facilita as consultas e abreviar as confissões.
Tendo encontrado por fim condições favoráveis de trabalho, empregada de um casal sem filhos, com eles viveu oito anos. Por outro lado, foi alvo de vexames incríveis, por exemplo o do ser esbofeteada em plena igreja por uma mulher, e o de o seu confessor habitual, cansado com intrigas de pessoas invejosas, e até com calúnias levantadas contra Ângela, se negar sem mais nem mesmo a atendê-la em confissão, e em público a obrigar a retirar-se da fila do confessionário. Ângela suportou com paciência estas dolorosas humilhações.
A senhora em cuja casa ela trabalhava adoeceu gravemente e morreu, assistida por ela. Depois disso, vieram viver com o viúvo duas mulheres suas parentes, que começaram a criar dificuldades à vida e ao trabalho de Ângela. Sentindo-se abandonada, ouviu Jesus a dizer-lhe: “Minha filha, porque te preocupas? Eu não te abandonei”. Tomou então como diretor espiritual um padre jesuíta, que acompanhou o seu processo até o fim. E para seguir mais de perto Cristo pobre e crucificado, fez-se terceira franciscana, cuja regra professa em 1913.
Enquanto se encontra em condições de trabalhar, ajuda os doentes nos hospitais, socorre os pobres e as suas companheiras necessitadas. Mas no outono de 1916 é expulsa do emprego, acusada de roubo. Sente-se destroçada por doenças, necessidades, invejas, insultos e calúnias. Apenas consegue alguns biscates passageiros, e no ano seguinte deixa de poder trabalhar. Resolve então recolher-se no hospital da Santa Zita, de que tinha sido sócia. Mas como nem aí a deixam em paz a calúnia e a inveja, resolve ir viver sozinha, num pequeno cubículo alugado. Mas foi aí, no meio dos sofrimentos, que teve visões de Jesus a confortá-la e corrigi-la. Raramente e com grande dificuldade pode ir à igreja comungar; muitas vezes fica privada do pão do céu, pois tinha sido acusada por uma invejosa de se fingir doente, e essa calúnia fizera com que os padres franciscanos se recusassem a levarem-lhe a comunhão em casa. Ângela oferece todos os sofrimentos pela libertação da Polônia, sua pátria.
Em 1920 com imensa dificuldade participa de uma peregrinação ao santuário mariano de Chestochowa; e desde finais desse ano até meados do ano seguinte sofre dores tão atrozes que quase a levam ao desespero. Mas aceita todos esses “queridos tormentos” para se unir aos sofrimentos de Cristo. Na última etapa da vida, é alternadamente atormentada por tentações diabólicas de orgulho e presunção e confortada por Cristo com visões celestiais. Numa dessas visões passou a experimentar a felicidade do céu, a 12 de março de 1922.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

09 de novembro: Beata Joana de Signa



A parte mais antiga da povoação de Signa, no alto da colina, de aspecto medieval, ainda hoje é conhecido pelo nome de “A Beata”, continuando assim a recordar e honrar a Beata de Signa por antonomásia, Joana. Nascida em 1244, era filha de pais humildes, e na juventude foi simples pastora, de vida e alma imaculada. Às vezes reunia-se com outros pastores, e falava-lhes de coisas do céu e da prática da virtude.
Só mais ou menos aos 30 anos lhe foi possível realizar o ideal sonhado de vida religiosa, fazendo-se reclusa voluntária. Nesse intuito, depois de haver recebido dos frades menores o hábito da terceira ordem franciscana, fez-se emparedar numa pequena cela junto ao rio Arno, e aí viveu em penitência durante uns quarenta anos. Embora separada do mundo, a partir desse estreito refúgio derramou dons de misericórdia sobre todos quantos a ele recorriam: curou doentes, consolou aflitos, converteu pecadores, esclareceu indecisos, ajudou necessitados. A sua fama perdurou até aos nossos dias, devido também aos milagres póstumos e graças recebidas por sua intercessão.
Há lendas pitorescas sobre a sua juventude de pastora. Conta-se, por exemplo, que quando corriam tempestades e aguaceiros, ela reunia junto de uma frondosa árvore o rebanho, que assim ficava a salvo da chuva, do granizo e dos raios. Por isso, ao pressentirem a aproximação de tempestade, outros pastores corriam junto dela com os respectivos rebanhos. E ela aproveitava a oportunidade para lhes lembrar, com palavras simples e eficazes, a necessidade de salvarem a alma e merecerem o paraíso.
Outras vezes, quando o caudal do Arno crescia de modo a impedir a passagem de uma margem para a outra, houve quem a visse estender sobre as águas revoltas a sua grosseira capa e atravessar o rio sobre ela, como se fosse um barco seguro.
Como reclusa, Joana viveu uma vida mais angélica do que humana. Da caridade dos fiéis recebia o indispensável para a sustentação. Foi exímia na mais rigorosa austeridade, na oração fervorosa, na contemplação assídua, em êxtases e colóquios com o seu amado. O Senhor glorificou a santidade da sua serva com numerosos prodígios realizados sobretudo em favor de doentes, para quais obtinha de Deus a cura do corpo e da alma. Da cela onde viveu emparedada voou para o céu aos 63 anos, no dia 09 de novembro de 1307, e diz-se que no momento do seu desenlace repicaram festivamente os sinos das igrejas, a celebrarem a sua entrada na glória celeste.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

8 de novembro: Beato João Duns Scotus



João Scotus é o seu nome; Duns é o nome da terra escocesa onde veio ao mundo pelo ano de 1265. Com cerca de 15 anos ingressou na Ordem dos Frades Menores, e a 17 de abril de 1291 foi ordenado sacerdote. Os seus raros dotes intelectuais levaram os superiores a mandarem-no para a universidade de Paris fazer os estudos superiores. Logo que os completou, em 1296, passou lecionar como bacharel, comentando as “Sentenças” de Pedro Lombardo nas universidades de Cantabrígia, Oxónia e Paris. Teve, contudo, de abandonar esta última cátedra, por se ter recusado a assinar uma apelação ao Concílio, promovida pelo rei da França Filipe o Belo contra o papa Bonifácio VIII. Porém, a exclusão durou pouco, pois regressou logo no ano seguinte, para receber o título de doutor, com uma carta de apresentação do ministro geral da Ordem, padre Gonçalo Hispano, que tinha sido seu mestre, e o recomendava como absolutamente digno do doutoramento, “quer por uma já longa experiência de ensino, quer pela fama de que já gozava em várias universidades, bem como pela vida exemplar, ciência excelente e inteligência sutilíssima” do candidato.
Em finais de 1307, pouco antes falecer, João Duns Scotus lecionava na universidade de Colônia. Talvez não tenha havido em toda a Idade Média nenhum outro doutor mais notável do que este franciscano da Escócia, que estudou em Oxónia, lecionou em várias universidades incluindo a de Paris, onde foi expulso por ter a coragem de se opor à prepotência de um rei, e veio a morrer em uma cidade em que outros filósofos começaram a produzir, como se a chama do pensamento lhe tivesse queimado a juventude. O título que lhe atribuíram, de “Doutor Subtil”, exprime a sua sublimidade. As suas doutrinas sobre a SS. Virgem e sobre o ministério da Encarnação vieram a ser confirmadas no dogma da Imaculada Conceição e no culto da realeza de Cristo. Como filósofo metafísico e como teólogo, teve ainda o mérito de Jesus e sua Mãe. Por isso a posteridade também lhe chamou “Doutor do Verbo encarnado” e “Doutor Mariano”. Teve numerosos discípulos, e tornou-se uma figura de relevo da escola franciscana, iniciada com Alexandre de Hales, celebrizada com São Boaventura, o “Doutor Seráfico”, e que atingiu o apogeu com Scotus.
Depois dos mistérios de Jesus, foram os de Maria que constituíram as elucubrações teológicas do Doutor Subtil. Duns Scotus é o grande teólogo da Imaculada Conceição. Numa disputa pública sobre esse assunto em que foi convidado a participar, esteve calado enquanto 200 teólogos expuseram as suas teses, tentando provar que Maria não poderia ter nascido sem pecado original, pois nesse caso Cristo não teria sido o Redentor de todo o gênero humano. Depois de os ouvir a todos, o nosso Doutor Mariano levantou-se para tomar a palavra, e refutou um por todos os argumentos apresentados contra o privilégio de Maria Imaculada, e demonstrou pela Sagrada Escritura e escritos dos Santos Padres e com a sua irrefutável dialética que tal privilégio era condizente com a fé, e por isso se devia atribuir à Mãe de Deus. Foi o triunfo mais clamoroso na célebre universidade da Sorbona, sintetizado no célebre axioma: “Potuit, decuit, ergo fecil” (Deus podia concedê-lo, era conveniente, e portanto concedeu-o).
Morreu em Colônia, em cuja universidade lecionava, a 8 de novembro de 1308. 

domingo, 6 de novembro de 2011

7 de novembro: Beata Elena Enselmini




Elena  nasceu em Pádua por volta de 1208 da nobre família dos Enselmíni. Quando em 1220 São Francisco de Assis, ao regressar do Oriente, se deteve em Pádua a aí fundou o mosteiro das clarissas Santa Maria de Arcella, uma das primeiras nele recebidas foi Elena, na altura com 13 anos. Foi o próprio Santo quem lhe cortou as tranças e acolheu os votos.
Durante dez anos viveu uma vida de claustral de altíssima perfeição e estrita observância da regra, sendo para as irmãs exemplo de piedade, penitência e amor ao trabalho, até que me 1230 foi acometida por grave doença que a reteve no leito durante 15 meses, atormentada por espasmos incontroláveis e febres altíssimas.
Santo Antônio de Lisboa, estabelecido em Pádua entre 1227 e 1231, ano em que morreu em Arcella, quando chegou a essa cidade como ministro provincial, teve conhecimento da dolorosa situação de Elena, e prontificou-se a servi-lhe de conforto e guia. Logo entre os dois se estabeleceu um estreito nó de santa amizade, com proveito para ambos: Antônio dava à ilustre paciente a ajuda de oportunos conselhos e exortações, e Elena dava ao santo apóstolo o mérito dos seus sofrimentos, participando assim também ela na obra apostólica como missionária de desejo e de amor.
Pouco depois da morte de Santo Antônio, a doença de Elena agravou-se, privando-a da vista e da fala e impedindo-a de tomar qualquer alimento. Nesse estado de incapacidade física passou os três derradeiros meses da vida. Mas como por felicidade não perdera a consciência, podia seguir as leituras da sagrada Escritura e as biografias dos santos, e acompanhar as solenidades litúrgicas. Dessa forma, tudo quanto ouvia e meditava como que se transformava em visão, que a abadessa lhe pedia que transmitisse de alguma forma às irmãs.
Durante os seis primeiros anos de vida religiosa, tudo para ela foi luz e alegria, apesar dos rigores ascéticos. Pelos vinte anos, porém, sobreveio a terrível provação , o período das trevas. Trevas e escuridão até em sentido físico, com incômodos e doenças, mas , mas sobreveio, densas trevas da alma, atormentada por dúvidas e aridez espiritual. Era tentada a julgar que todo seu esforço era inútil, que a salvação lhe seria negada para sempre. No meio de tanta desorientação, valeu-lhe  a bóia da fé robusta e obidiência cega, à qual se agarrou com todas as forças, que a impediu de se afundar. Com essa extraordinária tenacidade e força de vontade conseguiu reconquistar a paz de espírito e a certeza de que a Providência guiava o seu destino por caminhos misteriosos para Deus. Morreu em Pádua, à 4 de novembro de 1242, com 34 anos de idade.    

sábado, 5 de novembro de 2011

06 de novembro: Beato Paulo de Santa Clara


Paulo de Santa Clara era um discípulo muito estimado do Beato Apolinário Franco, ministro provincial do Japão e chefe do grupo de mártires japoneses daquele ano. Prestou um belo serviço como catequista e em muitas outras atividades. Sob a dependência dos franciscanos trabalhou na obra de evangelização ensinando a doutrina cristã a crianças e adultos, assistindo e tratando doentes nas suas casas particulares ou nos hospitais. Estava sempre à disposição do P. Apolinário para tudo quanto dizia respeito ao apostolado ou trabalhos internos do convento, como serviço de cozinha, arranjo da sacristia e da igreja e limpeza da casa.
Esse dedicado serviçal não ocultava o desejo de vir a ser religioso franciscano. Várias vezes exprimira esse desejo ao P. Apolinário, mas por um motivo ou por outro, a data da vestição ia sempre sendo adiada. Mas os caminhos do Senhor são maravilhosos; e não tardaria a chegar para Paulo o momento tão desejado. A perseguição religiosa, como torrente devastadora, não poupava missionários nem cristãos, que, se não abjurassem, eram detidos, encarcerados e condenados à morte. Com o Beato Apolinário Franco foi preso o catequista Paulo, e conduzidos, em conjunto com outros cristãos e missionários, para a masmorra de Omura.
E foi aí, na prisão, que Paulo mais uma vez fez o pedido de ser aceito como frade franciscano. Teve aí lugar uma comovente e sugestiva cerimônia, que mesmo apenas imaginada nunca mais se esquecerá. Juntamente com o nosso catequista mais dois candidatos à vida franciscana foram admitidos ao ano de noviciado. O seu nome de religioso ficou a ser Frei Paulo de Santa Clara. Seguiu-se o ano de noviciado com programas bem definidos, como aconteceria em qualquer comunidade religiosa normal: oração em comum, recitação das horas canônicas, reza do rosário, e muita alegria no meio das dificuldades e limitações da cadeia.
O epílogo dessa vida religiosa foi o martírio. No dia 2 de setembro de 1622 foi promulgada a sentença da condenação à morte a fogo lento. Frei Paulo de Santa Clara e companheiros foram levados a Omura, onde os esperava o seu calvário. Na via-sacra da subida, foram acompanhados por um enorme cortejo, de cristãos, que os aplaudiam pela coragem, e de pagãos que os insultavam e apupavam. As chamas das fogueiras que lhes queimaram os corpos abriram-lhes as portas do céu. 

05 de novembro: Beatos Miguel Kizamon e Lucas Kiiemon



Uma das características do apostolado dos missionários no Japão era a de se rodearem de fiéis do próprio local como colaboradores ativos na obra de evangelização em outras atividades. Pelo fato serem japoneses nativos, perfeitos conhecedores da língua, dos costumes e das instituições, esses ajudantes formavam uma preciosa vanguarda para os missionários. A catequese de crianças e de catecúmenos adultos em preparação para o batismo era geralmente confiada a catequistas japoneses. A assistência a doentes nos hospitais ou a domicílio, as obras de beneficência em favor dos pobres, os orfanatos para acolher crianças abandonadas ou órfãs, eram por via de regra entregues a esses maravilhosos cristãos, que repetiam nos tempos modernos os prodígios dos cristãos da Igreja primitiva.
Dentre eles, os melhores catequistas, aqueles que evidenciavam melhor formação espiritual ou davam indícios de vocação religiosa, eram admitidos à Ordem Terceira Franciscana, ou em alguns casos mesmo à Primeira Ordem. Nessa situação, mais ligados ao apostolado do missionário e imbuídos do espírito franciscano, trabalhavam ainda com mais diligência. Os Beatos que hoje recordamos estavam nesse caso: eram catequistas e terceiros franciscanos.
O Miguel foi abandonado pelos pais, quando ainda era pequeno. Acolhido por cristãos e confiado à obra da Santa Infância, onde recebeu o batismo e educação cristã. Quando já era crescido foi entregue a um comerciante espanhol. Mais tarde passou à missão, e foi acolhido pelo franciscano espanhol Padre Rojas, que lhe ministrou os estudos primários, nomeou-o catequista, e a pedido do próprio inscreveu-o na TOF. Numa região onde se deslocara por assuntos de catequese, encontrou-se com outro catequista, o Lucas, de quem se tornou amigo, e com o qual regressou a Nagasáki, onde trabalharam em conjunto desde 1618 a 1627. Nessa época de terrível perseguição religiosa, Valeram-se a sua arte de carpinteiros para construírem abrigos e esconderijos onde pudessem pôr a salvo os missionários e outros cristãos perseguidos. Essa atividade, no entanto, valeu-lhes a condenação. Reconhecidos como cristãos, foram detidos e metidos na cadeia durante vários meses. A 16 de agosto de 1627 foram tirados do cárcere e conduzidos a Nagasáki, à chamada Colina Sagrada ou Monte dos Mártires, onde foram decapitados e alcançaram a palma do martírio e a glória do céu.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

4 de novembro: São Carlos Borromeu


Carlos Borromeu é um dos mais importantes bispos da história da Igreja: notável na doutrina, na caridade, no apostolado, mas sobretudo na piedade e devoção. Costumava ele dizer que “só de joelhos se conquistam almas”, isto é, por meio da oração persistente e humilde, e foi de fato um dos maiores conquistadores de almas de todos os tempos. Nasceu em 1538 na fortaleza dos Borromeu, senhores do Lago Maior e das povoações ribeirinhas.
Sobrinho do papa Pio IV, era o segundo filho do conde Gilberto, e por esse motivo, segundo o costume vigente entre as famílias nobres da época, aos 12 anos foi iniciado na carreira eclesiástica pela tonsura. Embora isso não pudesse ser considerado um verdadeiro compromisso, ele, que manifestava já propensão para o estado eclesiástico, tomou a coisa a sério. Em Pavia, onde foi completar os estudos, logo deu mostras dos seus dotes intelectuais.
Chamado a Roma, o tio papa nomeou-o cardeal-diácono, apesar dos seus 22 anos incompletos, e além disso deu-lhe o título de acerbispo de milão e o encargo de administrar os negócios da Santa Sé, sendo o primeiro secretário de estado em sentido moderno. Amigo da cultura, fundou em Roma a academia das “Noites Vaticana”. Tomou parte no concílio de Trento, mais como executor de ordens do que como conselheiro, e empenhou-se em apressar a concusão do mesmo.
Em 1562, pela morte do irmão mais velho, competia a ele assumir os encargos da família, mas deveria renunciar à carreira eclesiástica. Em vez, disso, porém renunciou definitivamente ao título de conde e à sucessão, e preferiu ser ordenado, aos 24 anos, sacerdote e bispo. E quando dois anos mais tarde faleceu o tio papa, foi tomar posse da diocese de Milão, jque ele tinha atribuído. Nessa arquidiocese vastíssima, cujos limites continham populações lombardas, venzianas, suíças, piemontesas e lígures, o jovem prelado estava presente em toda, preocupado com a formação do clero e a assistência aos fiéis. Fundou seminários, edificou hospitais e albergues, empenhando-se em pôr em prática as reformas propostas pelo concílio de Trento, mesmo sob pena de se indispor com certos governadores. O seu amor pelos pobres levou-o a esbanjar grande parte das riquezas familiares, e a inscrever-se na TOF, para também ele viver segundo o espírito da pobreza franciscana.
Foi intrépido defensor dos direitos da Igreja contra senhores poderosos e sem escrúpulos que a prejudicavam. Também nos conventos restabeleceu ordem e disciplina, com tal rigor que um frade tresloucado chegou ao desplante de o alvejar com um tiro enquanto ele rezava na capela. Só que, por sorte ou por milagre, a bala não o feriu. Durante a peste de 1576 desdobrou-se em cuidados e assistência aos infectados, e tratou de muitos pessoalmente. Nessa campanha de caridade gastou todas as suas energias, a ponto de a sua robustez ceder a tamanha fadiga. Sucumbiu no dia 3 de novembro de 1584, com 46 anos de idade, deixando aos milaneses e a toda a Igreja a memória duma santidade heróica.

3 de novembro: Beata Margarida de Lorena


Margarida de Lorena, duquesa de Aleçon, nascida em 1463, foi educada na corte do seu piedoso avô, rei Renato de Avinhão. Os seus principais textos de estudo, a “Legenda Áurea” e as Vidas dos Santos produziram nela tal impacto, que aos 10 anos de idade já sonhava em ser eremita, como mostrou um episódio curioso. Durante um passeio coletivo, Margarida e mais algumas companheiras separaram-se do grupo. Julgando-se que se teriam perdido na mata, organizou-se uma operação de busca. Quando à tardinha a encontraram, confessou que se tinha escondido de propósito, para experimentar como seria a vida eremítica.
Entretanto morreu-lhe o avô, sendo ela ainda uma jovem de 17 anos. Regressou então à Lorena, e uma cunhada assumiu o encargo de continuar a sua educação na mesma linha de piedade. No ano seguinte casou com o duque de Alençon, com o mesmo nome do falecido avô, Renato. Mas a vida do casal não foi fácil, pois os desastres da guerra dos 100 anos fizeram-se sentir no pequeno ducado. A situação da esposa tornou-se ainda pior quando lhe morreu o marido, deixando-a viúva aos 32 anos de idade, com três filhos de tenra idade para criar.
A partir de então, como mulher forte, dedicou-se à educação dos orfãos, cuja tutela os parentes pretendiam assumir. Opondo-se a essa pretensão, Margarida esmerou-se na educação dos filhos, conseguindo que eles se tornassem jovens admiráveis, os adolescentes de sangue real mais cobiçados, que vieram a conseguir ótimos casamentos.
Uma vez liberta do encargo dos filhos, decidiu libertar-se também da administração do ducado, que com escrupulosa abnegação assumira durante 22 anos de viuvez. Dividiu os seus bens pessoais em três lotes, um dos quais destinado aos pobres, outro para igrejas, e o terceiro para seu próprio sustento. Depois retirou-se para o castelo de Essai, transformando-o em um autêntico mosteiro em estrito contato com as clarissas de Aleçon. O bispo da diocese chegou mesmo a recomendar à duquesa que moderasse as suas práticas ascéticas bastante exageradas, como passar em claro noites inteiras em oração, usar cilícios, fazer grandes temporadas de jejum, e flagelar-se com violência para saborear um pouquinho da Paixão de Jesus, como ela mesma costumava dizer.
Dócil às recomendações do bispo, Margarida mudou então de método ascético: dedicou-se a tratar as chagas dos doentes num dispensário que ela mesma fundou em Mortagne. E por fim ingressou mesmo no mosteiro das clarissas de Argentan, a fim de partilhar a vida duríssima das filhas de Santa Clara. Foi, porém, uma experiência de pouca duração, pois ao fim de dois anos adoeceu gravemente, e preparou-se para a morte, que ocorreu no dia 2 de novembro de 1521, tendo ela 58 anos de idade. Só então se descobriu que ela trazia ao peito uma cruz de ferro com três pontas aguçadas que se lhe cravavam na carne.