
Paulo de Santa Clara era um discípulo muito estimado do
Beato Apolinário Franco, ministro provincial do Japão e chefe do grupo de
mártires japoneses daquele ano. Prestou um belo serviço como catequista e em
muitas outras atividades. Sob a dependência dos franciscanos trabalhou na obra
de evangelização ensinando a doutrina cristã a crianças e adultos, assistindo e
tratando doentes nas suas casas particulares ou nos hospitais. Estava sempre à
disposição do P. Apolinário para tudo quanto dizia respeito ao apostolado ou
trabalhos internos do convento, como serviço de cozinha, arranjo da sacristia e
da igreja e limpeza da casa.
Esse dedicado serviçal não ocultava o desejo de vir a ser
religioso franciscano. Várias vezes exprimira esse desejo ao P. Apolinário, mas
por um motivo ou por outro, a data da vestição ia sempre sendo adiada. Mas os
caminhos do Senhor são maravilhosos; e não tardaria a chegar para Paulo o
momento tão desejado. A perseguição religiosa, como torrente devastadora, não
poupava missionários nem cristãos, que, se não abjurassem, eram detidos,
encarcerados e condenados à morte. Com o Beato Apolinário Franco foi preso o
catequista Paulo, e conduzidos, em conjunto com outros cristãos e missionários,
para a masmorra de Omura.
E foi aí, na prisão, que Paulo mais uma vez fez o pedido de
ser aceito como frade franciscano. Teve aí lugar uma comovente e sugestiva cerimônia,
que mesmo apenas imaginada nunca mais se esquecerá. Juntamente com o nosso
catequista mais dois candidatos à vida franciscana foram admitidos ao ano de
noviciado. O seu nome de religioso ficou a ser Frei Paulo de Santa Clara.
Seguiu-se o ano de noviciado com programas bem definidos, como aconteceria em
qualquer comunidade religiosa normal: oração em comum, recitação das horas canônicas,
reza do rosário, e muita alegria no meio das dificuldades e limitações da
cadeia.
O epílogo dessa vida religiosa foi o martírio. No dia 2 de
setembro de 1622 foi promulgada a sentença da condenação à morte a fogo lento.
Frei Paulo de Santa Clara e companheiros foram levados a Omura, onde os
esperava o seu calvário. Na via-sacra da subida, foram acompanhados por um
enorme cortejo, de cristãos, que os aplaudiam pela coragem, e de pagãos que os
insultavam e apupavam. As chamas das fogueiras que lhes queimaram os corpos
abriram-lhes as portas do céu.
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