sexta-feira, 17 de agosto de 2012

18 de agosto: Beatos João Luiz Loir, Protásio Bourbon, Sebastião François - presbíteros e mártires de Rochefort




Beato João Luiz Loir

Entre os 800 padres e religiosos trucidados em 1794 na ilha de Aix (França), estavam também diversos frades capuchinhos. Seriam deportados para a Guiana, mas os veleiros que cruzavam as costas francesas impediram esta viagem e muitos deram a vida por amor da fé. Este sacrifício foi reconhecido como graça do martírio a 1º de outubro de 1995 por João Paulo II para João Batista Sousa de Besançon, Protásio de Sées e Sebastião de Nancy, dos quais agora queremos brevemente narrar a história.

João Batista (era este o seu nome de batismo) nasceu a 11 de março de 1720, em Besançon, filho de João Luiz Loir e Elisabeth Juliot, sexto de oito filhos e foi batizado no mesmo dia. O pai, parisiense, era diretor e tesoureiro da Casa da Moeda de Borgonha de Besançon e em 1730 foi eleito diretor da mesma em Lion, onde foi morar com toda a família e onde o filho João Batista fez os seus estudos. Aos 20 anos, no mês de maio de 1740, se fez capuchinho no grande convento da cidade e toma, com o hábito, o nome de Frei João Luiz. Professou aos 09 de maio de 1741. Em Lion, os capuchinhos moravam em dois conventos, um chamado São Francisco e o outro Santo André. Nestas duas casas o futuro mártir transcorre a maior parte da sua vida religiosa.

Registramos aqui o testemunho de um abade que conheceu Frei João Luiz: "Dotado de todas aquelas virtudes que o poderiam tornar recomendável, ele jamais quis aceitar algum cargo, dizendo que entrara na Ordem não para comandar, mas para obedecer, não para dominar, mas para ser submisso. Dedicando-se, com humildade, à salvação das almas, exercitou o ministério da confissão com fruto e infatigavelmente. Não existia missão organizada por seus confrades, na qual ele não prestasse o seu zelo. O povo simples e os pobres eram os seus prediletos".

Tinha 74 anos quando os revolucionários franceses obrigaram os padres e religiosos, em 1791, a prestar juramento da constituição civil do clero. Pe. João Luiz se encontrava no convento de São Francisco quando a assembléia constituinte ordenara o inventário das pessoas e dos bens de cada casa religiosa. Ele declarara que queria permanecer na Ordem. Mas em outubro deixou Lion e foi para Bourbonais em Précord, no castelo onde morava sua irmã Nicole Elisabeth com o filho Gilberto de Grassin e onde também duas sobrinhas irmãs dominicanas encontraram refúgio. No dia 30 de maio de 1793, sem motivo, todos os moradores do castelo foram levados para Moulins, onde 66 padres estavam reclusos, parte na prisão e parte no antigo mosteiro Santa Clara. No elenco dos eclesiásticos que não haviam prestado juramento figurava também o Pe. Loir. A sua idade o teria livrado de ulteriores sofrimentos se não fosse o terrível acordo ateístico dos fins de 1793, que permitia tacitamente a eliminação dos anciãos eclesiásticos que, de fato, foram transportados, muitos deles doentes, em três expedições diversas, até Rochefort. Pe. João Luiz deixou Moulins aos 12 de abril de 1794, na terceira expedição, com 26 deportados, canônicos, curas, trapistas, capuchinhos, outros franciscanos e irmãos das Escolas Cristãs. Durante o trajeto, escoltados, foram ajudados pelo povo. Chegaram a Rochefort no fim de abril. Indagados sobre tudo, foram amontoados sobre duas naus ancoradas naquela costa de mar.

A nau na qual foi colocado o Pe. João Luiz se chamava "Deus-Associés". Eram 400 deportados em estado que causava piedade. Era o verdadeiro suplício da fome, ao qual se ajuntavam outros terríveis tormentos de caráter higiênico-sanitário, sem remédios, e os insultos dos marinheiros. Mas o tormento pior eram as horas noturnas. Todavia, a pena maior era não poder ter nem breviário nem outros livros de piedade e nem poder rezar juntos.

Estes eram os sofrimentos do Pe. João Luiz. Mas o seu caráter vivo e alegre infundia coragem nos companheiros de desventura. Um dos sobreviventes testemunhou que o capuchinho "embora sendo um venerável velho, se tornara a alegria de todos. Ele cantava como um jovem de trinta anos procurando assim aliviar os nossos sofrimentos, escondendo os seus que o estavam consumindo. Ele morreu serenamente como sempre vivera. Na manhã do dia 19 de maio de 1794 encontraram Frei João Luiz morto, de joelhos, no seu lugar. Ele foi o primeiro dos 22 capuchinhos que morreram em Rochefort".

Ó Deus, ao comemorarmos a paixão dos vossos mártires João Luiz Loir, Protásio Bourdon e Sebastião Francisco, dai-nos a alegria de ver atendidas as nossas preces, para imitarmos sua firmeza na fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, nosso irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Beato Protásio Bourbon

No mesmo navio "Deus-Associés" onde morreu o Beato João Luiz de Besançon estava também o Pe. Protásio Bourdon. Também dele sabemos pouca coisa. Nasceu aos 03 de abril de 1747, foi batizado um dia depois na Paróquia de São Pedro de Séez (Orne). Os seus pais e parentes eram abastados. O pai, Simone Bourdon, era carpinteiro e a mãe se chamava Maria Luiza le Fou. A formação cristã recebida fez amadurecer nele a vocação à vida religiosa que o levou a entrar, aos vinte anos, entre os capuchinhos de Bayeux onde professou aos 27 de novembro de 1768 tomando o nome de Frei Protásio. Em 1775 foi consagrado sacerdote e nas poucas notícias de arquivo sabe-se que morou por um pouco de tempo na casa de Honfleur, vizinho ao Santuário de Nossa Senhora das Graças. Vamos encontrá-lo também no Convento de Caen aos 29 de novembro de 1783. E em 1789 foi secretário do ministro provincial da Normandia.

O seu último destino, como secretário provincial e guardião, foi o convento de Sotteville, vizinho a Ruen. Aqui, com sua comunidade o encontraram os agentes municipais, quando vieram pesquisar a casa e requerer o juramento da constituição civil do clero. Ele refutou juntamente com os seus confrades, reforçando em duas circunstâncias diversas a sua vontade de perseverar na vida religiosa, e particularmente aos 26 de agosto de 1791, quando estava em ato a última verificação do inventário do convento, do qual os religiosos, no ano depois, foram expulsos definitivamente e colocados na rua. Pe. Protásio quis da mesma maneira permanecer em Rouen e, recusando de tomar o caminho do exílio, encontrou hospitalidade junto de um senhor, a quem compensava com um pouco da sua pensão e com as esmolas recebidas pelas missas celebradas.

Esta sua tenacidade lhe mereceu a prisão e ser interrogado por dois fanáticos cidadãos que, na sua futilidade e leviandade, mostra, como sempre acontece, a inconsistência de semelhantes processos de que é cheia, infelizmente, a história. O texto deste interrogatório foi felizmente conservado. Pe. Protásio respondeu com muita liberdade, mas foi claro declarando que refutava o juramento, que queria seguir fielmente a sua vida religiosa, e foi reticente onde se tratava de não revelar o envolvimento de outras pessoas.

Na investigação tida na casa onde se refugiara, foram encontrados manuscritos e alguns livros impressos que se tornaram objetos de acusação porque defendiam os refratários. Ele não ofereceu ulteriores explicações que seriam comprometedoras também para outros e nem revelou o nome das pessoas junto a quem celebrava a Eucaristia em segredo. É uma atitude simplesmente religiosa, por isto enfrentaria riscos e perigos. Está aqui o seu heroísmo. A ele interessava a fé íntegra, simples e lúcida. Não foi nenhuma atitude política. O efeito porém foi imedia ele foi imediatamente fechado no antigo seminário de Rouen São Vivien, utilizado pelos revolucionários como casa de detenção provisória, na espera da sentença definitiva, que chegou a 10 de janeiro de 1794: o "cidadão" João Bourdon, ou seja, Pe. Protásio foi condenado a ser deportado para a Guiana por ter celebrado missa ilegalmente e ter tido documentos suspeitos.

Aos 09 de março foi levado para Rochefort, onde chega aos 12 de abril e, interrogado, foi privado de tudo aquilo que ainda podia ter: um relógio de ouro com uma caixinha para cobrí-lo (provavelmente se tratava de uma custódia eucarística) e 1.303 liras. Embarcado no "Deus-Associés", segue a sorte dos outros prisioneiros e o quadro desolador de sofrimentos vulgares, de agonias e de morte que forma o tecido quotidiano daquela prisão, o mesmo já descrito para o Beato João Luiz Loir. Depois de quatro meses, o Pe. Protásio, na noite de 23 para 24 de agosto de 1794, morria de mal contagioso. Um sobrevivente deixava mais tarde este testemunho: "Era um religioso de grande merecimento e louvor seja por suas iniciativas em favor dos confrades deportados, seja por suas capacidades físicas e morais de que era dotado, seja sobretudo pela firmeza na fé, a sua prudência, equilíbrio, regularidade e outras virtudes cristãs e religiosas".


Beato Sebastião François

Entre as 547 vítimas de "Rochefort" e os 64 sacerdotes beatificados como mártires da Revolução Francesa figura também o Pe. Sebastião de Nancy. A trama da sua biografia é um pouco mais documentada. Francisco François nasceu aos 17 de janeiro de 1749 em Nancy, filho de Domingos e Margarida Vernerson, e foi batizado um dia depois na igreja de São Nicolau. Ainda quase criança conheceu os capuchinhos. A Paróquia de São Nicolau, fundada em 1731, utilizava a igreja dos capuchinhos para o culto até 1770. Os frades animavam também a Ordem Franciscana Secular. O convento era importante sede do Capítulo Provincial e do lanifício da Província para confecção das túnicas e mantelos para todos os capuchinhos de Lorena, distribuídos em 28 conventos no território da região.

O mestre de noviços, Frei Miguel, aos 24 de janeiro de 1768, o revestiu com o hábito capuchinho com o novo nome de Frei Sebastião e um ano depois recebeu a profissão solene. O ato da sua profissão, assinado no Registro Oficial, é o primeiro de 1769, como o ato do batismo inaugurava o registro da Paróquia de São Nicolau, em Mousson, um convento fundado em 1607 e renovado em 1764. No tempo do Beato Sebastião moravam neste convento nove padres, seis clérigos e um frade não clérigo. Frei Sebastião estava completando os seus estudos e já tinha sido ordenado sacerdote, ainda que são sabemos com precisão, a data da sua ordenação.

Aos 05 de junho de 1777 é confessor no convento de Sarreguemines. Em 1778 vai para o convento de Sarrebourg, Diocese de Metz, como confessor. Aos 26 de agosto de 1784 foi enviado para o convento de Commercy até o final de 1789.

Pe. Sebastião a partir de 1789 se encontrava no convento de Epinal, quando estourou a Revolução Francesa com todas as conseqüências anti-religiosas e antieclesiásticas. Os comissários municipais, aos 30 de abril de 1790, entraram no convento para fazer o inventário. Um ano depois, os móveis e pertences do convento, foram vendidos e Frei Sebastião encaminhado para o convento de Castelo-sur-Moselle, indicado pelo Conselho Municipal como casa comum dos capuchinhos. Aos 09 de novembro de 1793 foi enviado para a casa das Terceiras em Nancy, que servia como prisão para os padres refratários.

Aos 26 de janeiro de 1794 o administrador do distrito de Nancy, verificando a situação de todos os detentos e do Pe. Sebastião anotou que era refratário e sem nenhuma enfermidade, pronto pois, a entrar na lista dos padres rebeldes condenados a Rochefort. Partiram pois a 1º de abril 48 padres e religiosos e depois de um penoso trajeto de quatro semanas, chegaram a Rochefort aos 28 de abril. Alguns dias depois, embarcados no navio negreiro de Deus-Associés, já com 373 padres e religiosos prisioneiros, foram transportados para a ilha de Aix e Oleron onde o veleiro foi atracado. Ao Pe. Sebastião se apresenta uma visão desoladora: aquela centena de prisioneiros pálidos, barbas longas e mal tratados, hábitos suados, parece uma prisão de moribundos.

"O nosso navio atufado de padres e religiosos - como deixou escrito um sobrevivente - era como um altar para o holocausto em louvor da Providência entre as ondas do mar, para a consumação perfeita do sacrifício". Os corpos das vítimas, completamente despojados como nos campos de concentração hitlerianos, foram transferidos para as margens arenosas e alguns dos prisioneiros ainda em discreta saúde ali deviam sepultá-los na areia sem poder recitar nenhuma oração ou elevar ao céu qualquer canto da igreja.

As testemunhas deixaram um esplêndido retrato do Pe. Sebastião, cultivado como uma flor especial de virtudes no maço de flores perfumadas dos mártires. Eis suas palavras: "O Senhor manifestou a santidade do seu servo, o Pe. Sebastião, capuchinho da casa de Nancy, vindo para morrer sobre esta nau. Este santo religioso era entre nós venerado pela sua eminente piedade e virtude e tocante devoção. Rezava incessantemente, sobretudo na última doença. Em uma manhã foi visto de joelhos, os braços abertos em forma de cruz, os olhos elevados ao céu, a boca aberta. Não se fez muito caso, porque já estávamos acostumados a vê-lo rezar assim, durante a sua doença. Depois de meia hora, estávamos estupefatos de vê-lo perseverar naquela posição tão incômoda e difícil, porque agora o mar estava muito agitado e a embarcação balançava e oscilava muito. Provavelmente estava em êxtase. Nós aproximamos para vê-lo de perto. Tocando seu corpo e as suas mãos, percebemos que há muito ele entregara sua alma a Deus".

Os marinheiros foram chamados. Era o dia 10 de agosto de 1794. A recordação do Beato Sebastião permanece esculpida assim: Um homem que não só reza, mas todo transformado em oração; na vida e na morte, uma oração feita homem, encarnada, como Francisco de Assis.
 
 
acessado em 17/08/12 às 23:00:  http://www.procamig.org.br

17 de agosto: Santa Beatriz da Silva


De linhagem nobilárquica, nasceu em Ceuta, Marrocos, em 1424, filha de Rui Gomes da Silva e Isabel Peres de Meneses. Tal como um seu irmão de sangue, o franciscano Beato Amadeu da Silva, era aparentada com a família real portuguesa, e por isso acompanhou como dama de honor a infanta Isabel de Portugal quando esta casou em 1447 com João II de Catela.
A sua rara beleza e extraordinária virtude fizeram-na cobiçada por nobres da corte por nobres da corte castelhana, e isso despertou ciúmes na rainha, que a maltratou e chegou ao ponto de a três dias metida num calabouço, pondo-lhe em perigo a própria vida. Logo que foi libertada, depois de fazer o voto perpétuo da castidade, partiu em segredo para Tordesilhas e daí para Toledo, sempre acompanhada, segundo a lenda, por São Francisco e Santo Antônio de Lisboa.
Foi acolhida no mosteiro de São Domingos de Toledo, onde viveu uns trinta anos. Foi durante esse período que nela despontou e amadureceu a ideia de fundar um novo instituto em honra da Imaculada Conceição de Maria. Nesse empreendimento contou com o apoio da rainha Isabel a Católica, que lhe cedeu o seu palácio da Galiana, na mesma cidade de Toledo, com a igreja anexa da Santa Fé. Transferiu-se para a nova casa com 12 companheiras em 1484, e pouco tempo depois, com uma regra redigida pela fundadora, a nova congregação foi aprovada por Inocêncio VIII em bula de 30 de abril de 1489.
Beatriz vivia em Deus e Deus vivia nela. Unia-se a Jesus por meio de Maria. Contemplava a perfeição divina e as maravilhas da graça realizadas em Maria, criatura privilegiada e bendita entre as mulheres. Em 1484, estando ela absorta em oração, apareceu-lhe Maria Imaculada, vestida de branco e com um manto azul, e disse-lhe: <<Minha filha, é da vontade de meu Filho Jesus que nesta igreja se funde uma ordem religiosa com o nome da minha Imaculada Conceição. Deus quer servi-se de ti para lançar os fundamentos dessa instituição. Põe mãos à obra, sem demora e sem medo, que eu estarei sempre a teu lado>>. Assim se formou o novo grupo das Irmãs Concepcionistas, agregadas à ordem segunda franciscana. O seu hábito imita as vestes de Maria na aparição: uma túnica branca com escapulário e um manto azul. Acrescentou-se-lhe depois o cordão franciscano, símbolo de perpétua união com a família do seráfico Pobrezinho.
Quando a santa, ardendo em febre, esperava no leito a hora suprema, apareceu-lhe pela terceira vez a Virgem Imaculada a anunciar-lhe que não tardaria a entra no céu. Entusiasmada com a notícia, preparou-se para o dia mais belo da vida. A 16 de agosto de 1490, com a idade de 66 anos, expirou docemente, enquanto sobre o seu rosto virginal brilhou por alguns instantes uma estrela de excepcional esplendor. Era o selo da sua santidade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

16 de agosto: São Roque de Mompilher


 É um dos santos mais venerados no mundo católico, nasceu por volta de 1295 em Mompilher, França, e o seu nascimento terá resultado dum voto feito pelos pais, desolados por não terem filhos. Depois de ficar órfão ainda bastante novo, vendeu todos os haveres em benefício dos pobres e partiu em peregrinação para Roma.
Inscreveu-se na TOF e passou a ser peregrino durante toda a vida. Na peregrinação romana demorou algum tempo em certas localidades a fim de prestar assistência a vítimas da peste, obtendo por vezes curas aparentemente milagrosas; e quando chegou a Roma curou um cardeal, que sem demora o foi apresentar ao papa. Ao cabo de três anos empreendeu a viagem de regresso, e durante ela foi também atingido pela epidemia em Placência. Retirando-se a um ermo vizinho, para não contaminar outras pessoas, foi recolhido e tratado por um patrício, a quem converteu a melhor vida com seu bom exemplo.
Quando deixou Placência e seguia para o norte, foi capturado por um destacamento de soldados nas proximidades do Lago Maior, por suspeitas de espionagem; meteram-no numa masmorra onde lhe infligiram torturas horrorosas.
De cidade em cidade, de santuário em santuário, viajava sempre a pé, sem companhia, como verdadeiro pobre. Embora isso constituísse já por si um notável exercício ascético, não chegava a ser santidade heroica. Ora, naquela época um surto de peste bubônica devastava a Europa, e em especial a Itália. Foi uma oportunidade providencial para o peregrino se transformar em enfermeiro, dedicando-se  com ternura e carinho a tratar dos empestados, sem temer o contágio da terrível enfermidade. E todas as cidades por onde veio a passar foram palco da sua inesgotável caridade, reforçada com o carisma sobrenatural dos milagres.
Não admira que viesse também ele a contrair a doença. Sem poder nadar, por ter uma perna gravemente afetada por um bubão, deteve-se junto às margens do Pó, nos arredores de Placência, isolado de todos para não sobrecarregar nem contaminar ninguém. Matava a sede com água dum poço, e a fome com restos de alimento que lhe trazia um cão vadio – o companheiro fiel de São Roque, que aparece sempre nas representações do santo peregrino. Quando, uma vez curado, o seu nome já começava a andar na boca do povo como o de um taumaturgo, resolveu retomar o caminho de regresso à sua cidade de Mompilher. Ninguém o reconheceu, e foi mesmo confundido com um espião e foi metido numa prisão. Aí permaneceu encarcerado o resto da vida, cinco anos, até falecer no dia da Assunção de 1327, com apenas 32 anos de idade. Só então foi reconhecido pelos seus concidadãos e parentes, e venerado como santo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

15 de agosto: Beato Claúdio Granzotto


Nasceu numa povoação vizinha de Treviso, a norte de Veneza, a 23 de agosto de 1900. O seu primeiro modo de vida foi pedreiro, até aos 17 anos, depois passou à carreira militar durante três anos, e a seguir frequentou durante sete anos a academia de Belas Artes de Veneza, onde completou o curso de escultura. Em 1939 ingressou na ordem franciscana e viveu em conventos da região do Véneto. Morreu no hospital de Pádua, vitimado por um tumor no cérebro, na manhã da Assunção de 1947. Foi sepultado junto à Gruta da Imaculada, por ele construída, nas proximidades de Vicenza. Toda a sua vida procurou seguir sempre o filão do mais alto valor, e daí a sua trajetória pouco retilínea.
Quando na mente lhe brilhava uma ideia mais elevada, nunca mais a largava: aferrava-se a ela, e encarnava-a, ou no mármore ou na alma. Assim, aos 22 anos, agitado por um instinto profundo, rompeu com o seu ofício primitivo de pedreiro para se inscrever na durante sete anos trabalhou e sofreu muito, sem desfalecer, até conseguir, em 1929, o diploma de escultor, com a classificação máxima.
Também no campo da fé se empenhou a fundo. Começou por se comprometer na Ação Católica, estimulando várias iniciativas importantes, como a comunhão frequente, a leitura da boa imprensa, a adoração durante uma noite inteira uma vez por mês, várias formas de mortificação como o uso de cilício, dormir no chão, e o voto privado de castidade.
Nele se conjugaram em perfeita harmonia, como irmãs, a arte e a virtude, para fazer dele uma obra-prima. Com 33 anos, na plena pujança da vida, rodeado dos mais cobiçados bens terrenos, como bem-estar, fama, riqueza e amor terreno, aparece-lhe outro filão de maior valor, e segue-o. Entra no convento de São Francisco do Deserto, em Veneza, onde não deixou de ser o artista diáfano e passou a ser o religioso entusiasta da sua vocação.
Ao elevar-se no amor a Deus e aos irmãos, também se elevou na inspiração artística. Fez da arte sacra um meio de ação apostólica. Construiu quatro Grutas de Lurdes, altares para igrejas, esculpiu anjos em adoração, santos em êxtase, virgens inspiradas e majestosas e sugestivas imagens de Cristo. Tornou-se um carismático do cinzel, ocupando um lugar de relevo no seio da comunidade artística cristã do século XX. Como frade, em coerência com o seu espírito de humildade, renunciou à proposta de aceder ao sacerdócio. Preferiu ofícios humildes e ocultos, foi exímio na oração e penitência, mostrou sempre predileção pelos pobres e necessitados, em especial durante a guerra. A sua ousadia espiritual atingiu o zênite em 1944, quando ofereceu a Deus a vida como vítima voluntária pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo. Tal como tinha predito, subiu da terra ao céu no dia da Assunção, em 1947.
  

terça-feira, 14 de agosto de 2012

14 de agosto: São Maximiliano Kolbe


Maximiliano Maria Kolbe, o segundo duma família de cinco filhos, nasceu numa povoação próxima de Lodz, na Polônia central, no dia 8 de janeiro de 1894. Aos 10 anos deu-se com ele uma ocorrência extraordinária e misteriosa. Apareceu-lhe a Virgem Maria, e mostrando-lhe duas coroas, uma branca e outra encarnada, perguntou-lhe qual delas queria. A reposta dele foi que as queria ambas. Logo aos 13 anos entrou na ordem dos frades menores conventuais em Leópolis. Terminados os estudos primários e feito o noviciado, foi para Roma fazer os cursos requeridos para o sacerdócio no Colégio internacional de S. Teodoro, onde se laureou em filosofia e teologia.
Inspirando-se em sentimentos e ideais muito característicos do franciscanismo, a 16 de outubro de 1917, de parceria com outros confrades, dois romenos e quatro italianos, fundou a associação “Milícia da Imaculada”. No ano seguinte foi ordenado sacerdote, e pouco depois regressou à pátria, onde começou uma campanha apostólica segundo o espírito da associação por ele fundada, comunicando vida e entusiasmo a grupos marianos e a outras atividades religiosas e culturais.
Em 1927 fundou a “Cidade da Imaculada”, caracterizada por uma intensa vida espiritual sob o patrocínio de Maria, e cujos habitantes se dedicavam a todas as formas de apostolado, mas em especial à boa imprensa, empregando os recursos técnicos mais modernos. A 40 quilômetros de Varsóvia construiu um bairro onde organizou uma empresa tipográfica com um enorme volume de publicações: um diário com 250.000, o boletim intitulado “O Cavaleiro da Imaculada” com um milhão de exemplares, e ainda outras  publicações e revistas, numa empresa com cerca de uma milhar de empregados, entre operários, técnicos e profissionais, todos dedicados ao louvor da Imaculada e ao bem do próximo, lançando mão dos mais modernos meios de comunicação, como imprensa, rádio e cinema.
Entusiasmado com a ideia de atrair todos os homens a Deus por mediação da Maria Imaculada, em 1930 partiu para o Oriente. Nos arredores de Nagasáki, no Japão, fundou a segunda cidade da Imaculada, com os mesmos objetivos da primeira, conseguindo também ali um notável desenvolvimento em várias atividades, no meio de populações não cristãs. Do Japão passou à Índia, onde fundou outro centro mariano. No entanto, vendo-se obrigado, por falta de saúde, a renunciar aos planos projetados, em 1936 regressou à Polônia, onde reassumiu a direção da Cidade da Imaculada, levando-a ao apogeu em 1938.
A segunda guerra mundial e a invasão da Polônia não permitiram a continuação da sua obra tão auspiciosa. O resto da sua vida foi uma dolorosa via-sacra através de vários campos de concentração, até chegar finalmente ao campo de extermínio de Auschwistz, em Fevereiro de 1941. Aí se ofereceu espontaneamente para morrer em vez dum pai de família que com outros nove fora condenado à morte com represália, numa casamata da fome. No dia 14 de agosto recebeu a injeção letal de ácido fênico, e no dia 15, festa da Assunção foi lançado ao forno crematório. Contava 47 anos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

13 de agosto: Beato João Santos de Montebarócchio


Natural de uma terra próxima de Urbino (Itália), recebeu no batismo o nome de João Santos. Estudou letras e direito na universidade de Urbino, mas não completou esses cursos para se dedicar a carreira militar.
Aos 20 anos foi atacado por um parente e viu-se forçado a defender a própria vida, ferindo de morte o atacante. Angustiado por essa ocorrência involuntária, renunciou à vida militar, e em 1362 entrou na OFM num convento próximo de Montebarócchio. As suas virtudes mais notáveis foram à penitência e a humildade, e as mais notáveis devoções foram à sagrada Eucaristia e a Santíssima Virgem. Além dos ofícios próprios do seu estado, e em atenção à sua cultura e vida virtuosa, foi também mestre de noviços de irmãos leigos.
No intuito de expiar a morte que involuntariamente provocara, pediu a Deus para sofrer dores idênticas às que provocara ao parente. E foi atendido. Formou-se-lhe na perna direita uma úlcera de que nunca se curou, e o fez sofrer muito.
Os biógrafos atribuem-lhe dons extraordinários e milagres. Uma ocasião, encarregado de cortar lenha numa mata próxima, o jumento que levara para carrego ficou de noite fora de qualquer abrigo, e foi atacado por um lobo feroz, atou-lhe ao pescoço o seu próprio cordão, e ordenou-lhe da parte de Deus que reparasse o mal cometido, levando ele a lenha para o convento. O animal, dócil e obediente, durante muitos anos prestou esse serviço aos religiosos.
Outra façanha ocorreu quando o duque de Urbino se encontrou com ele e lhe pediu que intercedesse junto a Deus para as suas terras serem libertas duma praga de gafanhotos, ratos e outros animais nocivos que davam cabo das culturas. O devoto irmão ajoelhou-se, ergueu os braços ao céu e orou. E de imediato esses animais foram precipitar-se no mar, que ficava perto.
A fama da virtude do Beato João Santos atraiu ao convento de Scotoneto multidões de gente, ansiosas por verem o homem de Deus, ouvirem a sua palavra inspirada, e pedirem-lhe graças e favores. A ninguém ele recusava uma palavra de consolação e de esperança. Devoto fervoroso da SS. Virgem, durante toda a vida difundiu o seu culto, e pediu-lhe que Deus o chamasse para si no dia da Assunção. E assim aconteceu. Na noite de 14 para 15 de agosto de 1392, depois de ter recebido do superior a última benção, com 49 anos de idade a sua alma santa voou para a glória do céu.

domingo, 12 de agosto de 2012

12 de agosto: Beato Luís Sotelo, de Sevilha


Nasceu em Sevilha, Espanha, estava a terminar os estudos na universidade de Salamanca quando foi recebido no noviciado do convento do Clavário dos frades Menores. Fez a profissão solene quando tinha 20 anos, e após os estudos de filosofia e teologia foi ordenado sacerdote. Em 1600, mostrando desejos de se dedicar à conversão de infiéis, foi enviado para as Filipinas, destinado a prestar assistência espiritual aos japoneses residentes em Dilao.
Cada mártir tem a sua história no aspecto de fé e de piedade; mas a de Luís Sotelo tem também uma vertente política, pela missão diplomática que desempenhou entre o Japão, a Espanha e a Santa Sé. Em 1615 acompanhou o embaixador japonês a Espanha, e conseguiu que ele se batizasse no mosteiro das clarissas em Madrid com o nome de Filipe. O mesmo embaixador passou depois em Roma e hospedou-se no convento franciscano de Aracéli, teve duas audiências com Paulo V, e prometeu que o seu rei protegeria os missionários e os cristãos. Com estes precedentes, ninguém iria pensar que mal passado um ano voltaria a haver perseguições, e ainda mais cruéis que as anteriores. Por contradições de que também foi vítima na própria pátria, Luís Sotelo só pôde regressar ao Japão em 1622, num pequeno barco chinês; e já não foi tratado como diplomata, mas como traidor, e por isso, em vez de ser levado à presença do imperador, foi metido numa cadeia.
Teve então tempo bastante para ver que a perseguição poderia ter sido evitada se as missões tivessem sido organizadas doutra maneira. Assim, a partir da prisão, sete meses antes de morrer, indicou ao papa, num memorial, o que havia a fazer: 1) a formação de clero indígena, para ilibar os padres europeus de suspeitas políticas, e para nos perigos poderem prestar assistência  e conforto aos fiéis sem serem facilmente reconhecidos pela diferença de raça; 2) uma melhor organização hierárquica. Em vez de um único bispo, que nem sempre sequer vivia no Japão, um bispo por cada Ordem missionária, dependente dum metropolitano. <<Bispos e padres, dizia ele, são os ossos e os nervos do corpo místico de Cristo que é a Igreja>>. A proposta do mártir franciscano, infelizmente, chegou demasiado tarde, quando a perseguição já estava no auge.
Entretanto o papa Paulo V criara no Japão uma nova diocese, na parte oriental, evangelizada pelos franciscanos. Para essa nova sede tinha sido nomeado bispo o Beato Luís Sotelo. A sua consagração episcopal estava Núncio Apostólico de Madrid. Contudo, nunca chegou a realizar, por o bispo estar preso.
Após dois anos de prisão, durante os quais esteve rigorosamente vigiado, foi condenado à morte. No dia 25 de agosto de 1624 foi queimado vivo, a fogo lento, com outros companheiros: dois franciscanos, um jesuíta e um dominicano.

sábado, 11 de agosto de 2012

11 de agosto: Santa Clara de Assis (Este ano é comemorado os 800 anos de consagração desta Santa)


 

HOJE É DIA DE FESTA PARA AS CLARISSAS, FRANCISCANAS E FRANCISCANOS DE TODO MUNDO


Clara Offredúccio nasceu em Assis a 16 de Julho de 1194, filha dum nobre, Favarone de Offredúccio, e de sua esposa Hortulana. Quando Francisco foi informado do desejo da jovem Clara de conhecer melhor a sua vida para poder imitá-lo, o seu coração palpitou de alegria no Senhor. Os colóquios entre ambos levaram-na, dentro de pouco tempo, a fugir da casa paterna e a receber o hábito da penitência das mãos de São Francisco em Santa Maria dos Anjos da Porciúncula. Depois foi viver num conventinho junto da igreja de São Damião, que Francisco restaurara com suas próprias mãos, profetizando, a quem o ajudava, que aquele lugar ainda havia de ser uma espécie de canteiro de perfumadas flores, uma comunidade de “santas senhoras”, que encheriam a Igreja com o aroma das suas virtudes.
Não tardou a reunir-se à volta de Clara um grupo de jovens, entre as quais suas irmãs Inês e Beatriz, e sua própria mãe, Hortulana, de quem a filha passou a ser mãe, mestra e irmã. Nada mais lhes prometia a não ser a riqueza da mais austera pobreza e a alegria de viverem em maior intimidade com Deus. O modelo de vida das “Senhoras pobres” de São Damião passou a ser para toda a Igreja um exemplo de luz e de fé, um sinal claro das realidades celestes que já ali começavam a viver.
Francisco não ocultava sua predileção por Clara, sua espiritual filha primogênita, a sua “plantinha”, inexpugnável baluarte da pobreza evangélica. Quando lhe surgiram dúvidas sobre a orientação a dar a própria vida e à Ordem que fundara, recorreu a Santa Clara, que por inspiração divina lhe deu a resposta: <<O Senhor quer que os Irmãos, vivam não apenas para si mesmos, mas para todos; portanto, a sua vida deve ser ativa, sem deixar de ser contemplativa>>.
O pobrezinho redigiu para as “Senhoras pobres” de São Damião uma regra baseada na mais estreita pobreza. Seguindo o exemplo e as palavras de São Francisco, Clara zelou essa virtude com tanto empenho, que obteve do papa Gregório IX o chamado “privilégio da pobreza”. Clara foi até a morte a “serva” das irmãs, sempre cheia de amabilidade e compreensão para com elas, e de zelo pela disciplina religiosa. Só para si era rigorosa e austera: usava cilício, e dormia no chão até que São Francisco lhe impôs o uso de uma esteira.
Notabilizou-se pelo culto à Eucaristia, a que anda associada uma lenda. Em 1242, os sarracenos atacaram Assis e chegaram a assaltar o convento das clarissas de São Damião. Santa Clara, embora doente, pediu para ajudarem a transportar o ostensório com a hóstia consagrada ao sítio mais alto do mosteiro, e voltando-se para os mulçumanos invasores, fez uma oração, e ouviu-se uma voz do céu a dizer: <<Eu sempre vos hei de proteger e cuidar de vós!>>. Os assaltantes, como fulminados por uma força misteriosa, abandonaram precipitadamente o recinto e deixaram em paz o convento e a cidade.
Santa Clara teve em vida dois grandes momentos de alegria: quando beijou o corpo chagado do Pobrezinho, e quando, do leito onde estava doente, pôde presenciar a celebração da noite de Natal, como se já houvesse televisão... A 11 de agosto de 1253 sorriu pela última vez, ao passar para os braços do Senhor, com 59 anos. Pio XII proclamou-a patrona da televisão.

10 de aogsto: Beato João do Alverne

Nasceu em Fermo, nas Marcas, de família remediada. Com a idade de 20 anos foi entregue aos cônegos regulares de Santo Agostinho, mas depois preferiu passar para a ordem dos frades menores, a fim de satisfazer os seus anseios de vida retirada e penitente. O momento dessa decisão coincidiu com uma época de certa inquietação espiritual da OFM, o clima em que um escritor da mesma região das Marcas e da circunscrição de Fermo escreveu as célebres Florinhas de São Francisco. Por isso o autor das “Florinhas” dedicou algumas narrativas ao Beato João do Alverne, declarando em várias passagens tê-lo conhecido.
No desejo duma maior solidão, Fr. João separou-se em 1292 dos seus confrades das Marcas e retirou-se para o monte Alverne, onde São Francisco também se recolhera e recebera o dom dos estigmas. O fato de Fr. João ter vivido muito tempo nesse monte, até à morte, justifica o seu apelido.
Certo dia, estando ele em oração, apareceu-lhe São Francisco, e mostrando-lhe as mãos, os pés e o peito, disse-lhe: <<Aqui tens, meu filho, os estigmas que estavas morto por ver!>>. Depois desta visão que o deixou inundado de espiritual consolação, por três meses gozou também da presença habitual do seu Anjo da guarda, que o ia visitar à cela e lhe falava da paixão do Salvador e da felicidade celeste. No monte Alverne, entre as muitas capelas conta-se a do B. João, precedida dum murozito que delimita um pequeno espaço. Várias vezes Fr. João foi ali visto a passear e a falar com Jesus. Muito compadecido das almas do purgatório, por elas elevava ao Senhor fervorosas orações. Uma ocasião que celebrava por elas uma missa no dia 2 de novembro, enquanto fazia a elevação da hóstia, suplicou a Deus, pelos méritos daquela vítima que segurava nas mãos, que livrasse do purgatório os defuntos; e viu uma multidão de almas a saírem desse lugar de expiação e a subirem ao céu. Era tão esfuziante a alegria que lhe inundava o coração enquanto orava, que chegou a pedir ao Senhor que o privasse dessa doçura.
Os últimos anos da vida dedicou-os ao ministério apostólico. Evangelizou cidades e aldeias da região de Arezzo, percorreu a maior parte do norte e do centro da Itália a converter pecadores e reconduzir hereges ao seio da Igreja. Realizou milagres, teve o dom da profecia e de penetrar nos corações, lendo nos espíritos como num livro aberto, recordava aos penitentes pecados que eles se esqueciam de acusar. Preparava cuidadosamente as pregações no silencio da oração, e por isso podia dizer com sinceridade: <<Ao pregar, estou convencido que quem ensina as verdades divinas não sou eu, mas o próprio Deus que fala em mim>>.
Aos 63 anos, prevendo antecipadamente o momento da morte, apressou-se a regressar de Cortona ao monte Alverne, onde a 9 de agosto de 1322 a sua alma bendita foi receber no céu a recompensa dos trabalhos na terra.

9 de agosto: Beato Vicente de Áquila

 
A terra natal de Vicente fica nos Abruzos, onde ele veio ao mundo por volta de 1435. Com 14 anos ingressou na OFM no convento de São Julião, as vizinhanças de Áquila. Feito o noviciado e decorrido o período de provação até a profissão solene, após os votos perpétuos passou os primeiros anos recolhido numa cabana na mata do próprio convento, donde apenas saía para desempenhar alguma obrigação de que o encarregavam, em especial no trabalho de sapateiro, que fora aliás o seu primeiro modo de vida.
Tão profundamente se aplicava à oração, que frei Marcos de Lisboa refere a respeito dele: <<Vicente permanecia abstraído de tudo e elevado no ar, e o corpo ficava privado do uso dos sentidos, como se estivesse morto>>. Perante uma vida tão exemplar, os superiores resolveram encarregá-lo de ir de porta em porta a pedir esmola. Entre as pessoas que se inspiraram na sua santidade podemos recordar uma menina, que mais tarde veio a ser religiosa augustiniana em Áquila, com o nome de Cristina, e hoje é venerada nos altares com o título de Beata.
Vicente, como modelo religioso, passou por vários conventos, até regressar definitivamente a São Julião de Áquila. Em busca de bons conselhos, relacionaram-se com ele personalidades ilustres, como príncipe de Cápua, a rainha Joana, segunda esposa de Fernando I e irmã do rei da Espanha Fernando o católico. Prognosticou a coroa real para o duque da Calábria, primogênito de Fernando I de Aragão.
Uma doença indefinida que desde havia tempo se vinha a agravar cada vez mais, acabou por impedir de sair da cela. Mas ele tudo suportou com a resignação e serenidade dos santos. Na tarde do dia 7 de agosto de 1504 foi recebido nos braços do Senhor, enquanto era amorosamente assistido pelos confrades. A religiosa a quem ele inspirara na vida de consagração, desde a janela do seu quarto viu nesse instante iluminar-se com grande esplendor o convento o convento de São Julião, e a alma do seu diretor espiritual voar para o céu, acompanhada por uma multidão de anjos. O seu corpo foi sepultado na igreja de São Julião, e ainda hoje se encontra incorrupto, encerrado numa artística urna.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

8 de agosto: São Domingos Gusmão (fundador da ordem dos pregadores)


Nasceu em Calaruega, diocese de Osma (Espanha), e desde a juventude deu sinais de virtudes extraordinárias. Feitos com brilho os estudos teológicos e ordenado presbítero, foi nomeado cônego da igreja de Osma.
O seu apostolado como sacerdote centrou-se na defesa da fé católica, especialmente contra a heresia dos albigenses, por meio da pregação e do bom exemplo de vida. Este objetivo fez dele um polo de atração doutros pregadores, para os quais organizou uma regra, e que constituíram o núcleo primitivo da ordem religiosa dos dominicanos. O seu encontro com São Francisco de Assis, que alicerçou uma eterna amizade entre as respectivas famílias religiosas, foi rodeado com a auréola duma lenda, que também aparece nas legendas franciscanas, mas com contornos diferentes. Quando orava na igreja de São Pedro do Vaticano, em Roma, São Domingos terá tido uma visão: apareceu-lhe a Virgem Santíssima, desgostosa com os pecados da humanidade, a apresentar ao seu divino Filho dois indivíduos que seriam o suporte da Igreja. Num desses personagens São Domingos reconheceu a sua própria figura; mas não conhecia o outro predestinado a cumprir tão importante tarefa. Reconheceu-o só na manhã seguinte, ao deparar com um pobre e andrajoso mendigo: era, nem mais nem menos, o pobrezinho de Assis... Estreitaram-se num terno abraço, e assim lançaram as bases para uma amizade que se perpetua entre as duas ordens religiosas.
Domingos teria passado em santa e pacata serenidade o primeiro período da sua vida sacerdotal a entoar como cônego os louvores do Senhor, se não tivesse ocorrido a circunstância de ter feito uma viagem pela Provença, e verificado como por esses lados estavam disseminadas as heresias de cátaros e albigenses. Concluiu que se tornava urgente formar sacerdotes que vivessem uma vida pobre, para não despertarem nos hereges suspeita de interesses materiais, que fossem bastante cultos, capazes de refutar os erros e deformações doutrinais dos hereges, e que por outro lado soubessem ser benévolos e carinhosos para com as ovelhas desgarradas.
Mas o bom exemplo tinha de começar por ele. Foi um homem de intensa oração, assíduo no estudo, paciente nas contrariedades,, incansável em procurar e chamar os errantes, apesar de por vezes se sentir ameaçado de morte por parte de alguns. Andava sempre a pé e descalço, dormia sobre a terra, mortificava o corpo com jejuns e flagelações, convencido de que os seus sofrimentos contribuíam para salvar as almas que desejava libertar do erro.
Depois de lhe ouvir um sermão empolgante, perguntou-lhe certa ocasião um discípulo que livros é que ele consultava para ter tanta sabedoria. A resposta foi simples: <<Meu filho, só estudei pelo livro do amor de Deus: esse livro ensina tudo!>>.
Alguns traços típicos, transmitidos pelos seus biógrafos: era de estatura mediana, magro de corpo, de fisionomia atraente e tez levemente corada, cabelo e barba acastanhados, olhos claros e brilhantes. O rosto, sempre alegre e sorridente, irradiava um esplendor que em todos suscitava respeito e afeto. Possuía voz forte, dicção clara e timbre sonoro, que muito contribuíam para ser, como era, um belo pregador. Trazia sempre consigo o evangelho de São Mateus e as cartas de São Paulo, nas quais meditava tanto, que quase as sabia de cor. Por duas vezes foi convidado a ser bispo, mas sempre se recusou, preferindo viver com os irmãos em simplicidade e pobreza. Conservou o esplendor da virgindade até a morte, ocorrida em Bolonha, a 6 de agosto de 1221, aos 61 anos de idade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

7 de agosto: Beatos Agatângelo de Vendôme e Cassiano de Nantes


Agatângelo nasceu em Vendôme, na província francesa de Túrones, de família distinta, a 31 de julho de 1598. Desde criança contava de perto com os capuchinhos, que recentemente tinham chegado a essa região, onde seu pai era presidente do tribunal e administrador do convento. Não admira portanto que nele tenha despertado cedo a vocação para a vida religiosa, e tenha sido recebido na ordem dos frades menores capuchinhos, na qual professou em 1620, e foi ordenado sacerdote depois de feitos os estudos requeridos.
Nos primeiros anos de sacerdócio encontrou-se com o P. José Leclerc, famoso conselheiro do cardeal Richelieu, que projetara um vasto plano de evangelização. Agatângelo foi escolhido como candidato para a missão da Síria. Ao chegar a Alepo em 1629, deparou com variadas confissões religiosas, entre as quais muçulmanos, ortodoxos gregos, armênios, e alguns católicos, em número reduzido. Adotando um método de proselitismo diferente do vulgar, centrado em obras de beneficência, amigáveis conversas familiares e uma catequese muito elementar, conseguiu sem dificuldade e com rapidez brilhantes resultados apostólicos, que no entanto não vingaram, por ciúmes das confissões rivais. Passou então a missão do Cairo na qualidade de superior, e aí trabalhou afincadamente na união dos Coptas com a Igreja católica. Destinado pela providência a ser pioneiro, abrindo a outros o campo missionário, foi depois encarregado pela Congregação da Fé de orientar uma expedição missionária a Etiópia, composta por ele e mais três sacerdotes capuchinhos.

Cassiano nasceu em Nantes a 15 de janeiro de 1607, da rica família portuguesa Lopes Neto. Desde tenra idade mostrou certa queda para as práticas de piedade e devoção. Com 17 anos foi recebido na ordem dos frades menores capuchinhos da província de Paris. Emitidos os votos religiosos, concluiu os estudos eclesiásticos em Rennes, onde recebeu a ordem sacerdotal e passou os primeiros anos de padre, assistindo a doentes vítimas da peste de 1631. Depois pediu para ser enviado às missões, e foi destinado a Etiópia. Encontrou-se no Cairo com o B. Agatângelo, com quem compartilhou as lides apostólicas.
Temperamento fogoso, aberto e extremamente sensível ao sofrimento alheio, foi um apóstolo zeloso, cultivando em especial uma filial predileção pela Virgem Maria, cujo terço e oficio rezava todos os dias.
Desde o primeiro encontro, os dois futuros mártires sempre trabalharam e se sacrificaram juntos, centrando a sua atividade durante três anos no Cairo, a grande capital do Egito, e prestando especial interesse à conversão dos Coptas. No entanto, a sua atividade estendeu-se até aos distantes mosteiros de Santo Antão Abade e de S. Macário em Nitra.
Na Etiópia, especialmente por ação dos missionários jesuítas, a Igreja Católica atingira um notável desenvolvimento, que culminou com a conversão do próprio imperador. Mas as conversões e o florescimento da fé terminaram quando um outro imperador adotou este lema: <<Mais vale estarmos sujeitos aos muçulmanos de Meca que aos católicos de Roma>>. Os nossos missionários decidiram por isso prestar auxílio aos pobres irmãos da fé perseguidos pelo ímpio imperador, munidos de documentos do patriarca copta de Alexandria. E por precaução, apesar de serem apenas quatro, dividiram-se em dois grupos. Foi assim que Agatângelo e Cassiano partiram para a Etiópia, numa demorada viagem de três meses. Ao chegarem à fronteira desse país, foram descobertos e feitos prisioneiros, por serem considerados espiões e conspiradores contra o imperador e o bispo abissínio Malário.
Instigado por súditos hereges, o imperador da Etiópia tinha dado ordens de prender dois religiosos europeus que vinham do Egito. Levados à sua presença e recebidos com insultos, foram encerrados numa horrível masmorra como transgressores de ordens imperiais, que proibiam católicos de entrarem no território abissínio. Os dois mansos filhos de São Francisco não descoroçoaram: mostraram os documentos do patriarca copta de Alexandria. Poucos dias depois foram conduzidos a Gondar, algemados e atados à cauda dum cavalo, para uma nova e dura prisão. A corte imperial foi manipulada por duas personalidades conhecidas de Agatângelo: o Abuna Macário, seu fingido amigo, e o luterano Pier Leone, seu inimigo declarado, que hipocritamente se tinha feito copta. No processo, dominado pelo sectarismo religioso e pela perfídia de Pier Leone, os dois missionários católicos foram condenados à morte. Interrogados pelo imperador sobre sua fé, Agatângelo respondeu: <<Estou pronto para morrer pela minha fé cristã; nunca a renegarei!>>. No dia 7 de agosto de 1638, em Gondar, expostos ao ludíbrio das turbas, foram enforcados e barbaramente lapidados pela fúria da populaça. Agatângelo tinha 40 anos e Cassiano 31

6 de agosto: Beata Maria Francisca de Jesus, (Ana Maria Rubatto)


Ana Maria Rubatto, sétima filha duma família exemplar de oito irmãos, nascida numa povoação ao sul de Turim, foi batizada a 14 de fevereiro de 1844. Aos 20 anos de idade ficou órfã. Liberta assim de laços familiares, transfere-se para Turim e entrega-se ao serviço dos necessitados em várias instituições de assistência, como os Oratórios de Dom Bosco, a pequena Casa da Providência de Dom Cattolengo, o hospital de São João e as Damas de São Vicente.
Uma ocorrência fortuita levou-a a mudar de vida. Um operário que trabalhava na construção de um hospital, foi atingido por uma pedra caída e ficou bastante ferido. Ela passou a tratar dele. E cumpriu essa obra de caridade com tal solicitude e competência, que veio a ser convidada a dirigir o hospital depois de construído. Aí teve oportunidade de fundar também o novo instituto religioso, as Irmãs Capuchinhas.
A sua ação caritativa encontra formas de atender as mais variadas necessidades, seja de quem for, desde que procuram emprego nas cidades. Procura e consegue quase sempre encontrar soluções para os novos problemas que vão surgindo no final do século. Animada pelo capuchinho P. Angélico, embarca para a América do Sul, onde no Uruguai e na Argentina funda escolas e hospitais, e presta auxílio nas missões com toda a classe de serviços.
Convidade pelos capuchinhos a fundar uma missão na floresta do Brasil, ela mesma acompanha as primeiras irmãs destinadas à fundação. Essas irmãs viriam a ser as primeiras mártires da Congregação, ainda e vida da fundadora. Ela morreu com 60 anos depois de ter gasto a vida ao serviço do próximo. O seu corpo repousa em Montevideu, no Uruguai. A sua memória litúrgica celebra-se a 8 de agosto.

domingo, 5 de agosto de 2012

5 de agosto: Beato Frederico Janssoone


É uma personalidade fora do comum. Em fidelidade ao carisma franciscano, comprometeu-se radicalmente com o evangelho. Totalmente dedicado a Deus e ao próximo, desenvolveu o seu apostolado em três campos: na sua pátria, França; na Custódia de Terra Santa, onde construiu em Belém, sobre a gruta onde Jesus nasceu, a basílica de Santa Catarina; e no Canadá, sua segunda pátria, onde restaurou e difundiu a ordem franciscana. Houve quem o comparasse ao próprio São Francisco pela austeridade da vida, pela pobreza radical, pelo dinamismo apostólico, pelas prodigiosas conversões de pessoas a quem ele atraiu definitivamente para Cristo, pela assiduidade na oração, que o mantinha sempre unido ao Senhor.
São numerosos os seus empreendimentos, projeção da sua vida fé e concretização do seu carisma sacerdotal. Destacam-se entre eles o santuário da Virgem do Rosário de Cap La Madeleine, em Quebeque, centro de adoração perpétua; monumentais estações de Via-sacra por ele eregidas em diversos lugares; a promoção da TOF; a difusão e incremento da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Maria, a São José, e dum modo especial ao sacramento da Eucaristia com a missa e adoração eucarística.
Era natural da diocese de Lile, na França, e filho duma família de boa situação econômica e sólida formação cristã. Após uma longa e esmerada preparação, recebeu a primeira comunhão aos 14 anos. Foi aluno brilhante nos estudos elementares, preparatórios e secundários.
Sentindo-se vocacionado para o sacerdócio, entrou no seminário, mas após a morte do pai e por desejo da família, regressou a casa para ajudar a resolver dificuldades econômicas. Com esse fim andou durante algum tempo de terra em terra como vendedor ambulante de panos.
Quando, tendo ele 26 anos, lhe morreu também a mãe, ingressou no noviciado dos frades menores de Amiens, comprometendo-se a observar o evangelho e a regra franciscana. Após 6 anos de estudos filosóficos e teológicos, aos 32 anos, foi ordenado sacerdote. Começou por ser capelão militar durante a guerra franco-alemã, e depois foi enviado a Bordéus para ali fundar um novo convento. A seguir foi transferido para Paris, como superintendente nas obras da Terra Santa, cujos santuários estão a cargo dos franciscanos. Em 1876 foi à terra de Jesus, onde permaneceu até 1881, com o cargo de vigário da custódia  franciscana. Finalmente foi enviado para o Canadá, onde se estabeleceu em Trois-Rivières. A 4 de agosto de 1916 recebeu a visita da irmã morte e entregou o espírito nas mãos de Deus, com 78 anos de idade.

sábado, 4 de agosto de 2012

04 de agosto: São João Maria Vianey

Era natural duma povoação próxima de Lião (França), e passou uma juventude difícil, na época perturbada pelos trágicos acontecimentos da Revolução Francesa. A primeira comunhão, por exemplo, só pode recebê-la aos 13 anos, numa capela privada. Mas da sua piedosa mãe recebeu uma sólida formação religiosa.
Desde princípios de 1800, no entanto, nova luz começou a brilhar em toda França, depois da passagem do furacão revolucionário e napoleônico, que por toda parte deixara montões de ruínas materiais e espirituais.
Dado o seu ardente desejo de ser padre, João Maria teve de se esforçar muito para alcançar êxito nos estudos necessários. Mas o seu acendrado amor pelas almas permitiu-lhe superar todas as dificuldades de ordem intelectual, e no dia 13 de agosto de 1815, com 29 anos, foi ordenado sacerdote.
Em 1818, tendo ele 32 anos, devido à escassez de clero, o bispo houve por bem confiar-lhe a paróquia de Ars, uma freguesia onde nenhum padre conseguia aguentar-se. E ele, muito humilde, como verdadeiro filho de São Francisco, pois era Terceiro Franciscano, lá foi a pé, como pobre no meio dos pobres, e não tardou a conquistar aquelas almas. O espírito franciscano que assimilara ao entrar na TOF permitiu-lhe orientá-lo da melhor maneira no seu múnus pastoral.
O confessionário, onde ele passava grande parte do tempo, por vezes 18 horas por dia, transformou-se numa espécie de altar de misericórdia, onde começaram a afluir, para refazerem a vida, pecadores de toda a França e de toda a Europa.
O santo cura d’Ars nunca saiu de casa para chamar gente, nunca andou pelas ruas a sacudir a indiferença dos paroquianos, nunca lhes dirigiu a mais leve recriminação. De joelhos diante do sacrário ou da imagem de Nossa Senhora, permanecia muito tempo em oração. Era este seu alimento principal. De resto, comia apenas o necessário para viver e de noite dormia poucas horas.
Os paroquianos, inicialmente pouco ou nada lhe ligaram. Mas perante esta sua maneira tão estranha de viver, vendo-o tão cheio de devoção a rezar de joelhos, começaram a acorrer, a ajoelharem-se ao pé dele, a rezarem com ele. Passados dois anos, a paróquia de Ars já era meta de peregrinações vindas da França e não só. O sacerdote que por ser pouco inteligente se atrasara nos estudos, e a quem inicialmente chegaram mesmo a não conceder jurisdição para confessar, passou a ser o confessor dos mais obstinados pecadores, que vinham a Ars e junto dele reencontravam o caminho da fé, da esperança e da caridade. Àquela igreja, que trinta anos estava quase sempre praticamente vazia, acudiam agora peregrinos desde o alvorecer até o fim do dia. Ao vir para a paróquia, sem saber por onde ir, o P. João Maria pediu a um pequeno pastor que lhe indicasse o caminho, com estas palavras proféticas: <<Indica-me o caminho para Ars que eu te indicarei o caminho para o céu>>. E a verdade é que Ars ensinou o caminho do céu para milhares de almas, e também àquele pastor, que morreu poucos dias depois da morte do pároco, ocorrida esta a 4 de agosto de 1859, tendo ele 73 anos de idade.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

3 de agosto: Beato João Tiago Fernandes


 Natural da Galiza (Espanha), e nascido em 1808 no dia de Santiago, recebeu o nome de Tiago. Infância e juventude decorreram-lhe sem incidentes, numa vida cristã entregue ao estudo, e depois ao trabalho manual. Só aos 22 anos, depois de conhecer a futilidade do mundo, tomou o hábito dos frades menores, fez o noviciado e no ano seguinte a profissão religiosa, em busca da perfeição evangélica. Esses anos eram difíceis para as ordens religiosas, perseguidas humilhadas, obrigadas a fechar os conventos e suprimir tudo o que pudesse denunciá-las, como o uso das vestes religiosas. João Tiago, como muitos outros, perseverou na sua vocação, convencido de que não é o hábito que faz o monge...
Em 1859 pediu e obteve autorização para ir para a Palestina, como missionário. E passado pouco mais dum ano imolava a vida pelo Senhor no convento de Damasco. Em 1860 os drusos, que habitavam no Líbano, desencadearam contra os cristãos uma terrível e bárbara perseguição: destruíam povoações inteiras, campos e vinhas, e matavam todos os cristãos que encontrassem, sem pouparem sequer as crianças. Morreram cerca de 6.000. Em Damasco, associados aos maometanos, destruíram a ferro e fogo igrejas, conventos e casas de católicos.
Entre os numerosos mártires houve sete franciscanos do convento de Damasco, que pereceram heroicamente com o respectivo guardião, o B. Manuel Roiz, depois de se terem encomendado a Maria e se terem alimentado com o pão dos fortes, na noite de 9 para 10 de julho de 1680.
João Tiago e um confrade, Francisco Pinazzo, tinham-se refugiado no campanário da torre, mas foram aí descobertos pelos perseguidores. Intimados a abandonarem a fé cristã e abraçarem a islâmica, responderam: <<Só temos uma alma, e não queremos perdê-la abjurando das nossas crenças. Somos cristãos e religiosos franciscanos, e como tais queremos viver e morrer>>. Enfurecidos com a coragem da resposta, os mulçumanos agrediram-nos à pancada e à paulada com tal violência que ao nosso herói lhe partiram a coluna vertebral, depois do que lá do alto o atiraram ao chão. Apesar disso, ainda conseguiu sobreviver até a manhã seguinte, no meio de indizíveis sofrimentos. Quando pela madrugada passou por ali um turco e deu conta do religioso ainda vivo, mas agonizante, com os membros fraturados e banhado no próprio sangue, puxou da cimitarra e deu-lhe o golpe de misericórdia.
Foi assim que João Tiago Fernandes, a última dessas vítimas franciscanas, se juntou no céu aos seus confrades que já gozavam da glória de Deus. Toda a fraternidade de Damasco tinha sido imolada pela fé. A Custódia franciscana da Terra Santa escreveu assim com letras de ouro, uma nova página triunfal.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

2 de agosto: Santa Maria dos Anjos da Porciúncula


Pelo singular amor que consagrava à Bem-aventurada Virgem Maria, Francisco de Assis teve sempre particular cuidado por uma capelinha dedicada a Santa Maria dos Anjos, também chamada da Porciúncula. Foi aí que fundou a I ordem, dos frades menores, e colaborou na fundação da II ordem acolhendo Santa Clara; e aí também recebeu os irmãos e irmãs que de toda parte acorriam para se inscreverem na III ordem da penitência; aí finalmente, completou a carreira da sua vida santa. Foi o berço de toda vida e expansão franciscana.
Para essa capela o santo fundador obteve do papa Honório III a célebre indulgência também chamada do Perdão de Assis, que outros Pontífices posteriores confirmaram e estenderam a numerosas outras igrejas. Por essas gloriosas recordações celebra a ordem franciscana a festa de Santa Maria dos Anjos.
A lenda relativa ao acontecimento diz que uma noite, em fins de julho de 1216, o santo pobrezinho se encontrava nessa capela absorto em oração pelos pecadores. Quando de repente uma brilhante luz iluminou o pequeno recinto e sobre o altar apareceram Jesus e Maria entre um coro de anjos. E o próprio Jesus se dirigiu a Francisco nestes termos: <<Uma vez que tanto tens rezado pelos pecadores, venho propor-te que me peças em favor deles a graça que melhor te pareça>>. Entre lágrimas de felicidades, respondeu Francisco: <<Senhor, eu não passo também dum pobre pecador. Mas mesmo assim te peço, Senhor, que a todos os que vierem visitar esta igreja e se sintam arrependidos e tenham confessado os seus pecados, lhes concedas o perdão de todas as culpas>>. Jesus sorriu, e também Maria. Então Francisco dirigiu-se também a ela, dizendo: <<Senhora, advogada do gênero humano, peço-te que obtenhas do teu divino Filho esta graça>>. A Virgem Maria falou então ao Filho, e este disse a Francisco: <<Irmão Francisco, é realmente grande a graça que pedes, mas és digno dela e doutras ainda maiores. Por isso aceito o teu pedido, com a condição de ires ter com meu Vigário na terra e lhe pedires da minha parte essa indulgência>>. O Sumo Pontífice não teve relutância em secundar os desejos de Jesus, e por três vezes lhe repetiu a concessão. Francisco comunicou a grande indulgência do Perdão à multidão imensa que a 2 de agosto de 1216 se reuniu em Santa Maria dos Anjos, começando por aquelas memoráveis palavras: <<Quero enviar-vos a todos para o céu!>>.
Com frequência o Santo repetia aos irmãos: <<Fazei todo o possível por nunca abandonardes este local. Se vos fizerem sair por uma porta, entrai por outra. Este lugar é verdadeiramente santo. Aqui o Senhor nos fez nascer e crescer, e aqui iluminou os corações dos pobres com a luz da sua divina sabedoria>>.

1 de agosto: Beato Francisco Pinazzo

Nasceu em Alpuente, província de Valência (Espanha) a 24 de agosto de 1812, de pais pobres em bens materiais, mas ricos em fé. Passou a juventude em amplo contato com a natureza a pastorear rebanhos, e assim aprendeu a sentir Deus e elevar-se até ele por meio da criação.
Aos 12 anos faleceu-lhe o pai, e a mãe resolveu voltar a casar por motivos econômicos. Felizmente para Francisco, o padrasto foi para ele como um bom pai, religioso e amável. Aos 20 anos, um desengano sentimental levou-o a tomar uma decisão importante para o resto da vida: renunciar aos amores terrenos e ao mundo e consagrar-se a Deus.
Depois de tomar o hábito e fazer a profissão, durante 13 anos desfrutou de grande paz, sentindo-se feliz e plenamente realizado, até numa breve passagem pelo mosteiro de Gandia onde foi sacristão durante um ano. Em 1843, contando, portanto 31 anos de idade, obteve autorização para se dedicar ao apostolado missionário no Oriente. Viveu na Palestina 17 anos, passando por diversos conventos, até chegar finalmente a Damasco. Os irmãos Francisco e João Tiago Fernandes, apesar de se terem escondido na torre da igreja, foram descobertos e apanhados pelos mulçumanos. Nesse momento decisivo, os dois religiosos ajoelharam-se em atitude de oração, com os braços erguidos ao céu. Os muçulmanos partiram-lhes a coluna vertebral e precipitaram-nos do alto da torre para o pátio, onde os seus corpos ficaram inertes e serviram para o poviléu desafogar o seu ódio contra os cristãos.
Em redor do convento franciscano de Damasco, graças ao apostolado e à laboriosidade dos frades, havia certa prosperidade. O massacre teria sido mais avassalador se não fosse a intervenção do próprio emir em favor dos cristãos. Apesar de muçulmano, ele apreciava a obra dos missionários franciscanos e ficou pesaroso  por não ter podido impedir o massacre de 10 de Julho.
Reconhecendo a sua boa fé, o francês Lavigerie, passados uns meses, foi visitar o emitir e dirigiu-se estas palavras “O Deus a quem eu sirvo, o mesmo a quem tu serves embora com o nome de Alá, foi quem te inspirou tanta piedade e generosidade”. Hoje, após o Concílio Vaticano II, estas palavras são mais facilmente entendidas; mas nunca a Igreja  deixou de as proclamar, especialmente com o sangue dos mártires.